TRANSPORTE QUE MATA

     Duas questões ocupam as primeiras páginas nos jornais brasileiros e do mundo.  A primeira, diz respeito ao trânsito brasileiro e suas estatísticas assombrosas.  A outra, refere-se ao aquecimento global.  Em ambas, o principal responsável é a equivocada distribuição no modal de transportes no país.
Estatísticas publicadas apontam que de 1997 à 2006, 327.469 pessoas morreram em acidentes de trânsito no país.  É aterrorizador o dado de que temos 26 milhões de deficientes físicos, com uma parcela expressiva resultante do trânsito, particularmente da presença significativa de caminhões na estrada que poderiam ser substituídos, em condições mais baratas e seguras e emitindo menos CO2, se transportadas por navios.  Emite-se dez vezes mais CO2 levando 1 milhão de toneladas sobre pneus do que pela hidrovia, sem falar na degradação ambiental provocada pela estrada e, em contrário, da não agressão sob nenhum aspecto, na utilização do transporte por água. 
Atualmente, a Europa e os Estados Unidos, tem uma determinada e forte política de transferir as cargas dos caminhões para as embarcações.  Nos Estados Unidos, 69%  dos grãos e minérios, utilizam as hidrovias e o caminhão restringe-se a uma fatia de 11%.  No Brasil, é exatamente o contrário, ou seja, 69% dos grãos e minérios são transportados sobre rodas, sul-norte-sul, paralelamente a nossa costa e pelo interior do país, paralelamente aos nossos rios e pouco mais de 10%, por água (na cabotagem e nos rios).
É lamentável que não tenhamos vontade política para mudar este equívoco criminoso que é a nossa estrutura de transporte.  Ao contrário, toda vez que se fala em hidrovias, há movimentos de “ambientalistas” em contrário.  No primeiro mundo, é sabido que este modal (por água), é o mais sustentável, mais seguro e que menos, muito menos, degrada o meio ambiente.