A Diretora de Políticas para Mulheres e Diversidades da Federação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Aquaviários e Afins - FNTTAA, eleita em 07/05/2026, Cecília Rodrigues, durante sua participação na 114ª Conferência Internacional do Trabalho (CIT), evento anual que reúne delegações de governos, empregadores e entidades representativas de trabalhadores e trabalhadoras – entre elas a FNTTAA, – dos 187 países-membros da Organização Internacional do Trabalho (OIT), concedeu entrevista sobre o trabalho dos sindicatos marítimos no Brasil para aumentar a participação feminina no setor.
Cecília Rodrigues abordou os avanços conquistados pelas mulheres marítimas, os desafios ainda presentes na profissão e o papel da Convenção do Trabalho Marítimo (MLC) na promoção de ambientes de trabalho mais inclusivos.
Cecília Rodrigues destacou que, embora as mulheres ainda enfrentem discriminação, pressão e maior escrutínio em uma indústria historicamente masculina, a atual geração tem desempenhado um papel fundamental na transformação da cultura do setor, abrindo caminhos para as próximas gerações. Também ressaltou a importância de ampliar mecanismos de proteção às mulheres marítimas, fortalecer políticas de equilíbrio entre trabalho e família, garantir oportunidades de progressão na carreira e combater o assédio e a discriminação. Como exemplo de avanço, citou a atuação sindical no Brasil, que assegurou em Acordos Coletivos direitos como a licença para marítimas gestantes sem perda de remuneração ou benefícios.
Confira na íntegra, a entrevista:
1. Qual é a sua experiência como mulher marítima?
Independentemente da profissão ou do local de trabalho, muitas mulheres estão acostumadas a sofrer discriminação, pressão e olhares vigilantes à espera de uma falha. No setor marítimo, historicamente dominado por homens, minha experiência também se assemelha a isso. No entanto, vejo esta geração como uma geração de mudança. Não estamos simplesmente ocupando espaços que antes eram fechados às mulheres. Estamos ajudando a transformar a cultura do setor e inspirando as gerações mais jovens a perceberem que o setor marítimo também lhes pertence. Cada mulher que embarca hoje facilita que a próxima faça o mesmo.
2. Como o setor evoluiu para se tornar mais inclusivo para as mulheres e como a Convenção do Trabalho Marítimo (MLC) contribuiu para isso?
O setor marítimo tornou-se mais consciente da importância da diversidade, inclusão e igualdade de oportunidades. A MLC desempenhou um papel importante nesse progresso como um instrumento vivo, sujeito a revisão e emendas regulares. Isso permite que governos, armadores e organizações de marítimos aprimorem continuamente as proteções e as condições de trabalho em resposta aos desafios emergentes.
3. O que mais você gostaria de ver da MLC e do setor para que a área seja ainda mais inclusiva e segura para as mulheres?
Uma área que ainda precisa de melhorias é a proteção das mulheres contra os desafios específicos que enfrentam no mar. No Brasil, por exemplo, os sindicatos negociaram com sucesso proteções importantes por meio de Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs), incluindo licença remunerada para marítimas grávidas sem qualquer perda de remuneração ou benefícios. Esses acordos ajudaram a garantir que as mulheres não precisem escolher entre suas carreiras e a maternidade. Outra questão importante é o acesso às carreiras marítimas. A igualdade de oportunidades começa antes mesmo de uma mulher embarcar.
No Brasil, o ingresso na indústria marítima é baseado em concursos públicos, o que ajuda a garantir um processo seletivo justo e transparente e possibilitou que mais mulheres ingressassem na profissão. Eu também gostaria de ver medidas mais robustas que apoiem o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, a proteção à maternidade, a progressão na carreira e a prevenção do assédio e da discriminação.