IMAGEM: Cleferson Comarela /Divulgação

Marinha do Brasil apoia força-tarefa para retomada da navegação comercial na nova hidrovia do Rio São Francisco

Nas águas do “Velho Chico”, a Marinha do Brasil (MB) se une a uma força-tarefa para retomar a navegação comercial em uma das mais importantes vias de desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental do País. A missão exploratória partiu de Pirapora (MG), no dia 2 de abril, com cinco embarcações (a barca Cidade Pirapora, duas chatas, a draga Matrichã e um rebocador), descendo o rio com destino a Juazeiro (BA), totalizando 1.371 quilômetros de extensão da nova hidrovia. No dia 15 de abril, o comboio atracou próximo à barragem de Sobradinho, concluindo a primeira etapa da missão.

A partir da autorização do Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), a Companhia das Docas do Estado da Bahia – CODEBA, Autoridade Portuária Federal, elaborou o projeto da nova hidrovia do Rio São Francisco e organizou a documentação das embarcações junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para transportá-las até Juazeiro, onde serão feitas as manutenções. O planejamento envolveu estudos técnicos, monitoramento contínuo e análise das condições naturais do rio que, nesta época do ano, apresenta condições favoráveis de navegação devido à cheia.

Uma missão como essa envolve o esforço de todos. Cada pessoa da tripulação é fundamental. Nesse caminho, as experiências se unem. Reginaldo Santos, Comandante do Comboio, navega no São Francisco há mais de 40 anos e se considera um desbravador da nova era.

É um sonho, primeiro estar aqui, segundo estar acompanhado pela Marinha e retornar ao lago de Sobradinho 20 anos depois. O Rio São Francisco ainda é muito importante para os ribeirinhos, e isso traz uma leitura de futuro, de esperança, de ver o ‘Velho Chico’ que está tentando respirar. E eu acredito que vai dar certo”, falou o Comandante.

Unindo experiências do conhecimento empírico e das tecnologias de navegação, o olhar certeiro para a rota navegável do Rio vem de muitos anos no timão. “É gratificante a Marinha ter nos acompanhado. Conhecer nossa lida do dia a dia e quando traz a modernidade junto, há o aprendizado e a possibilidade de mudança”, disse Reginaldo.

Para o piloto fluvial Natanael da Rocha Montalvão, a rota não sai da cabeça de quem navegou por muitos anos. “O rio pode ter seu percurso mudado devido aos bancos de areia, e a gente vê a caída da água no barranco, o pedral, para que lado está jogando, e a gente tem essa noção de onde está o canal na visão de navegador. Está sendo uma experiência muito boa para mim e para todos que estão navegando com a gente”, contou Natanael, que retorna ao “Velho Chico” após 12 anos.

Hidrovia estratégica

Fundamental para a integração e o desenvolvimento do Brasil, a nova hidrovia vai permitir a retomada da navegação comercial desde Pirapora, em Minas Gerais (MG), até Juazeiro (BA) e Petrolina, em Pernambuco (PE). Esse tipo de operação não ocorre no “Velho Chico” desde 2012, em função do assoreamento de trechos desse rio essencial para a integração nacional.

Segundo o MPor, o projeto foi dividido em três etapas em função de sua magnitude. Todas preveem integração intermodal por rodovias e ferrovias, com o objetivo de aumentar a eficiência logística, promover a sustentabilidade e reduzir custos. A expectativa é de que cinco milhões de toneladas de carga sejam transportadas no trecho já no primeiro ano de operações.

A retomada da navegação no Rio São Francisco representa um avanço para a integração regional e o desenvolvimento econômico. A operação contribui para o fortalecimento da logística, a geração de emprego e renda e a ampliação das oportunidades para as comunidades ribeirinhas.

Com a reativação da hidrovia, o rio volta a desempenhar papel estratégico no transporte de cargas e na conexão entre diferentes regiões do País, reforçando sua importância para o desenvolvimento sustentável.

Fonte: Agência Marinha de Notícias