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De acordo com um novo relatório do Open Markets Institute, os Estados Unidos deveriam considerar a criação de uma linha de transporte marítimo de contêineres com apoio público para reduzir sua dependência de transportadoras estrangeiras.
O grupo antimonopólio sediado em Washington afirma que seis empresas de transporte marítimo de propriedade estrangeira controlam quase 80% da capacidade global de contêineres e mais de 90% do comércio dos EUA nas principais rotas, descrevendo essa concentração como um "cartel de contêineres".
O relatório, intitulado "Criando uma Cadeia de Abastecimento Oceânica Publicamente Responsável", argumenta que quatro décadas de desregulamentação, consolidação e formação de alianças deixaram importadores, exportadores e planejadores de defesa dos EUA expostos a decisões tomadas por empresas com sede no exterior.
A frota de contêineres americana, com bandeira dos EUA e destinada ao comércio internacional, diminuiu para 58 navios, representando menos de 1% do total global, segundo o estudo. O instituto alerta que o país depende de transportadoras estrangeiras não apenas para as cadeias de suprimentos de consumo, mas também para o transporte marítimo em situações de emergência.
O autor Arnav Rao argumentou que o transporte marítimo de contêineres deve ser tratado como infraestrutura crítica. O relatório alega que as principais transportadoras podem explorar contratos de serviço opacos, preços discriminatórios, cancelamentos de viagens, atrasos na carga e sobretaxas, sendo os pequenos exportadores e fabricantes os que mais sofrem.
Sua recomendação mais radical é uma opção de transporte marítimo público em contêineres capaz de garantir o acesso a mercados estrangeiros onde as transportadoras privadas não conseguem fornecer um serviço confiável ou não discriminatório.
Outras propostas incluem uma fiscalização mais rigorosa das alianças globais pela Comissão Marítima Federal, a restauração das proteções às empresas de transporte marítimo de uso comum, maior apoio à tonelagem de bandeira americana e ampliação do treinamento de marítimos.
Os acordos de cooperação entre operadoras já são registrados e monitorados pela FMC (Federal Market Commission) e podem receber isenção das leis antitruste dos EUA. O órgão regulador exige relatórios detalhados das alianças e pode solicitar uma liminar caso a redução da concorrência resulte em aumentos de custos excessivos ou deterioração dos serviços.
O relatório argumenta, contudo, que o monitoramento é insuficiente quando a frota subjacente, a base de tripulantes e a capacidade comercial se deslocam para o exterior. Sua mensagem central é que Washington não pode reconstruir a resiliência marítima apenas por meio de subsídios a estaleiros: também precisa decidir quem controla o acesso à rede de transporte que conecta produtores e consumidores americanos ao resto do mundo.
FONTE: SPLASH247.COM