A diretora eleita de Políticas de Gênero e Diversidades da FNTTAA e coordenadora do Sindmar Mulheres, Cecília Rodrigues, participou, no dia 19 de junho, do Encontro Regional de Mulheres Trabalhadoras em Transportes da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), realizado em Buenos Aires, Argentina.
O encontro reuniu cerca de 250 mulheres trabalhadoras dos diversos modais de transporte da região, além de dirigentes sindicais e representantes de organizações filiadas à ITF na América Latina. A programação teve como tema central o avanço dos governos de extrema direita que vem realizando reformas na legislação que trazem perdas para os trabalhadores. O encontro buscou analisar os impactos dessas iniciativas sobre as condições de trabalho, os direitos sociais e a participação das mulheres no trabalho e no movimento sindical.
Durante o painel internacional, representantes do Brasil, México e Colômbia compartilharam experiências sobre os desafios enfrentados pelas trabalhadoras em seus respectivos países. Representando o Brasil, Cecília Rodrigues apresentou as estratégias desenvolvidas pelo setor marítimo brasileiro para ampliar a participação feminina e fortalecer a permanência das mulheres na atividade, destacando iniciativas conduzidas pelo SINDMAR, pela FNTTAA e pelas entidades representativas do setor.
Foram ressaltadas ações voltadas à formação de lideranças femininas, à construção de cláusulas coletivas de proteção à maternidade, à promoção de ambientes de trabalho mais seguros e inclusivos e à defesa do emprego nacional marítimo. Essas iniciativas têm contribuído para posicionar o Brasil entre os países com maiores índices de participação feminina no setor marítimo em âmbito internacional.
A programação também contou com apresentações das trabalhadoras argentinas dos setores de aviação civil, navegação interior, portos, pesca, marítimos, transporte rodoviário, ferroviário e juventude, que relataram os efeitos das reformas recentes do governo Milei sobre suas categorias, a desnacionalização do trabalho, a redução da navegação com bandeira nacional e os ataques ao sindicatos para dificultar a defesa dos trabalhadores e trabalhadoras representados.
Vale ressaltar que o governo Milei criou uma Lei para cancelar os acordos coletivos caso os empregadores reclamem que a negociação coletiva onerou demasiadamente os empregadores. Desnecessário dizer que todos os acordos marítimos estão sendo denunciados, deixando de garantir planos de saúde adequados, regimes de embarque e outras proteções sociais. Além disso, a nova legislação proposta permite ao armador trocar a bandeira da embarcação e substituir nacionais por estrangeiros.
Em outra sessão, foi realizada a reunião do Comitê Regional de Mulheres da ITF, conduzida pela Diretora Global de Gênero da entidade, Natalie Swan. O encontro teve como objetivo discutir prioridades, projetos e estratégias para a atuação regional em 2027, reforçando o compromisso da ITF com a ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão sindical e com a construção de políticas que promovam igualdade, segurança e trabalho decente em todos os modais de transporte.
Cecília Rodrigues destacou a importância da troca de experiências entre as organizações sindicais latino americanas. “Em um contexto de retrocessos em direitos sociais e trabalhistas em diversos países da região, fortalecer a articulação entre as mulheres trabalhadoras dos transportes é fundamental para construir respostas coletivas, compartilhar boas práticas e avançar na agenda de igualdade de oportunidades e de proteção social. No setor marítimo, quando não há Marinha Mercante nacional, as mulheres via de regra são excluídas da atividade.”, afirmou.
A participação brasileira reafirma o protagonismo das mulheres marítimas e das entidades sindicais nacionais nos debates internacionais sobre trabalho, equidade de gênero e fortalecimento da representação das trabalhadoras no setor de transportes.
