IMAGEM: PORTOS DO PANAMA
O secretário de Estado Marco Rubio divulgou na segunda-feira uma declaração conjunta com cinco governos da América Latina e do Caribe, manifestando apoio à soberania do Panamá e condenando a pressão relacionada a ações recentes contra embarcações com bandeira panamenha, que intensificam uma disputa marítima que tem se deslocado cada vez mais das concessões portuárias para o transporte marítimo global e a geopolítica.
Emitido em conjunto pelos Estados Unidos, Bolívia, Costa Rica, Guiana, Paraguai e Trinidad e Tobago, o comunicado afirma que os governos estão "monitorando com vigilância" o que chamaram de "pressão econômica direcionada" da China, após a decisão do Panamá, no início deste ano, de retirar a CK Hutchison Holdings do controle dos terminais de Balboa e Cristóbal, que margeiam o Canal do Panamá.
Os governos afirmaram que as ações recentes que afetaram navios com bandeira do Panamá foram "uma tentativa flagrante de politizar o comércio marítimo e infringir a soberania das nações do nosso hemisfério".
“O Panamá é um pilar do nosso sistema de comércio marítimo e, como tal, deve permanecer livre de qualquer pressão externa indevida”, diz o comunicado. “Qualquer tentativa de minar a soberania do Panamá representa uma ameaça para todos nós.”
A declaração conjunta surge na sequência da crescente preocupação com o que autoridades americanas e observadores do setor marítimo descrevem como um aumento acentuado da pressão sobre a navegação com bandeira do Panamá.
Em março, a presidente da Comissão Marítima Federal, Laura DiBella, alertou que a China estava usando as inspeções de controle portuário para pressionar o Panamá após a disputa portuária no canal.
Os dados analisados pelo The Loadstar aumentaram essas preocupações, mostrando que embarcações com bandeira do Panamá foram responsáveis por 91 das 123 detenções de navios em portos chineses em março, sob o regime do Memorando de Entendimento de Tóquio — um aumento abrupto em relação aos níveis de janeiro e fevereiro e uma concentração que chamou a atenção de toda a indústria naval.
Embora as detenções por controle do Estado do porto estejam formalmente ligadas à segurança e à conformidade, o momento do aumento repentino, após a destituição de Hutchison e em meio ao crescente atrito diplomático, alimentou alegações de que a regulamentação marítima está sendo usada como moeda de troca em uma disputa geopolítica mais ampla.
Essa disputa remonta a janeiro, quando a Suprema Corte do Panamá invalidou o arcabouço legal que sustentava as concessões da Hutchison, vigentes há décadas, levando as autoridades a assumirem o controle dos dois terminais estratégicos.
Em regime de concessão temporária, a APM Terminals, parte da AP Moller – Maersk, assumiu o controle de Balboa, enquanto a Terminal Investment Limited, controlada pela Mediterranean Shipping Company, assumiu as operações em Cristóbal, aguardando um novo acordo de concessão.
Desde então, a Hutchison iniciou processos de arbitragem contra o Panamá e a Maersk, enquanto Pequim criticou a expulsão da operadora ligada a Hong Kong e rejeitou as acusações dos EUA sobre a detenção de navios.
FONTE: GCAPTAIN
