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A campanha nacional Janeiro Branco tem como objetivo alertar a sociedade para a importância do cuidado com a saúde mental e emocional. O mês de janeiro foi escolhido justamente por simbolizar recomeços, reflexões e a possibilidade de mudança de hábitos e práticas.
No entanto, esse espírito não parece estar presente na postura da Transpetro. A empresa apresentou, na última rodada de negociação do Acordo Coletivo de Trabalho, uma proposta que caminha em sentido oposto aos princípios defendidos pela própria campanha de saúde mental veiculada pela Saúde Petrobras.
Conforme destacado pelos sindicatos marítimos, a Transpetro propôs aumentar o tempo embarcado no longo curso de 90 para 110 dias e manter o período de 60 dias na cabotagem, mesmo quando outras empresas do setor já adotam escalas significativamente menores.
Durante a reunião, o presidente da Conttmaf e do Sindmar, Carlos Augusto Müller, ressaltou que a proposta da Transpetro está na contramão das práticas atualmente observadas no setor e não contribui para a melhoria das condições de saúde dos trabalhadores marítimos, inclusive a saúde mental.
A reivindicação dos marítimos é clara: redução do tempo a bordo tanto na cabotagem quanto no longo curso. Os sindicatos alertaram que a proposta apresentada não representa qualquer avanço, uma vez que as perdas econômicas, sociais e de qualidade de vida impostas aos trabalhadores são muito superiores a eventuais reduções tributárias relacionadas às diárias pagas em viagens internacionais.
Para a Conttmaf, não é possível discutir saúde mental sem enfrentar de forma concreta a sobrecarga imposta por longos períodos de embarque. Cuidar das pessoas exige coerência entre discurso e prática.
