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A IMO afirma que 3.200 navios estão presos a oeste do Estreito de Ormuz, enquanto uma reunião de emergência do Conselho é convocada.
A Organização Marítima Internacional (IMO) afirma que aproximadamente 3.200 embarcações, transportando cerca de 20.000 marítimos, estão atualmente retidas a oeste do Estreito de Ormuz, o que evidencia a dimensão da perturbação na navegação global, à medida que os ataques a navios mercantes se intensificam na região do Golfo Pérsico.
Os números foram divulgados em um documento informativo publicado antes de uma Sessão Extraordinária do Conselho da IMO, agendada para 18 e 19 de março em Londres, onde os Estados-membros discutirão a rápida deterioração da situação de segurança que afeta a navegação no Mar Arábico, no Mar de Omã e na região do Golfo.
De acordo com o Secretariado da IMO, a navegação internacional foi imediatamente impactada no início da crise, com quatro ataques confirmados a navios mercantes relatados em 1º de março de 2026, resultando na morte de pelo menos dois marinheiros e um trabalhador portuário. Os ataques continuaram nas semanas seguintes, com relatos de mais mortes e ferimentos graves entre as tripulações dos navios mercantes.
A violência em curso criou condições em que muitas embarcações não conseguem transitar com segurança pelo Estreito de Ormuz, um dos pontos de estrangulamento marítimo mais críticos do mundo para o comércio de energia e commodities.
A IMO afirmou que a consequente interrupção deixou milhares de navios aguardando a oeste do estreito, com dezenas de milhares de marinheiros efetivamente retidos a bordo, enquanto empresas e governos avaliam os riscos de tentar uma travessia por águas cada vez mais expostas a ataques com mísseis, drones e barcos-bomba.
A IMO Apela à Desescalada e à Proteção dos Marinheiros
O Secretário-Geral da IMO, Arsenio Dominguez, emitiu diversas declarações condenando os ataques à navegação civil e instando todas as partes a respeitarem o direito marítimo internacional e a liberdade de navegação.
Em declarações emitidas em 1º e 6 de março, Dominguez apelou à desescalada e a uma maior proteção para os marítimos mercantes, que, segundo ele, estão cada vez mais presos no meio do conflito.
O Secretariado da IMO também começou a coordenar estreitamente com os Estados-Membros, armadores, organizações de marítimos e agências internacionais para monitorar incidentes e apoiar as tripulações afetadas pela crise.
Durante reuniões com governos e representantes da indústria no início de março, o Secretário-Geral enfatizou a necessidade urgente de abordar o apoio à saúde mental, as capacidades de comunicação e o fornecimento de suprimentos essenciais para os marítimos retidos a bordo de navios na região.
A IMO também está trabalhando com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para fortalecer a coordenação em matéria de proteção dos marítimos durante a crise.
Orientações de Segurança Emitidas para a Navegação
Em seu comunicado aos Estados-Membros, a IMO instou os governos e operadores de navios a garantirem que os requisitos internacionais de segurança marítima, conforme a Convenção SOLAS e o Código Internacional de Segurança de Navios e Instalações Portuárias (ISPS), permaneçam plenamente implementados.
As autoridades também incentivaram as empresas de transporte marítimo a seguirem as Melhores Práticas de Gestão para a Segurança Marítima (BMP, na sigla em inglês), um conjunto de diretrizes do setor criado para ajudar as embarcações a mitigar os riscos em regiões de alto perigo.
Reunião Extraordinária do Conselho
A 36ª Sessão Extraordinária do Conselho da IMO será realizada na sede da IMO em Londres, nos dias 18 e 19 de março, para examinar a situação e coordenar a resposta da organização.
O Conselho da IMO — composto por 40 Estados-membros eleitos pela Assembleia da IMO — funciona como o órgão executivo da organização e pode tomar medidas urgentes em assuntos que afetam a segurança marítima global.
A reunião ocorre em um momento em que a crise no Estreito de Ormuz continua a repercutir nos mercados globais de transporte marítimo, com o tráfego de petroleiros na hidrovia em colapso e centenas de embarcações aguardando fora da região enquanto os governos consideram possíveis operações de escolta naval para restabelecer a segurança da passagem.
FONTE: GCAPTAIN
