IMAGEM: IMO

A Organização Marítima Internacional (IMO) emitiu uma forte condenação aos ataques contra a navegação comercial no Oriente Médio, alertando que a situação no Estreito de Ormuz representa um “grave perigo para a vida” e exigindo ação imediata para proteger os marítimos e restabelecer a segurança da navegação.

A declaração foi feita ao final da 36ª Sessão Extraordinária do Conselho da IMO em Londres, onde mais de 120 Estados-Membros se reuniram para tratar das crescentes ameaças às embarcações no Golfo Pérsico, Golfo de Omã e Mar Arábico.

“Grave Perigo” para os Marítimos

Em uma declaração abrangente, o Conselho "condenou veementemente" os ataques a navios mercantes e a alegada interferência do Irã na navegação pelo Estreito, descrevendo a situação como "contrária aos objetivos da IMO" e uma séria ameaça à segurança marítima.

O Conselho alertou que a crise representa um “grave perigo para a vida, particularmente para os marítimos”, além de apresentar riscos para a navegação e o meio ambiente marinho.

Exigiu ainda que o Irã “se abstenha imediatamente” de quaisquer ações destinadas a fechar ou obstruir o Estreito de Ormuz, reafirmando que “o exercício dos direitos e liberdades de navegação… deve ser respeitado” de acordo com o direito internacional.

A declaração também fez referência à Resolução 2817 (2026) do Conselho de Segurança da ONU, salientando que a interferência com vias navegáveis ​​importantes constitui uma ameaça à paz e segurança internacionais.

A escalada da violência ocorre após ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e os subsequentes contra-ataques de Teerã, levando a uma acentuada deterioração da segurança marítima em toda a região. Mais de 20 ataques a navios mercantes foram relatados nas últimas semanas, resultando em pelo menos sete mortes de marinheiros e vários feridos. O ambiente de ameaça constante provocou um colapso drástico no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, à medida que armadores e afretadores evitam cada vez mais a rota devido aos crescentes riscos de ataques com mísseis, drones e embarcações.

Os marítimos não devem ser “vítimas colaterais”.

Com o aumento do número de mortes e milhares de tripulantes à deriva, o Conselho colocou os marítimos no centro de sua resposta, instando que “todos os ataques a navios que afetem marinheiros civis inocentes sejam interrompidos imediatamente”.

Os Estados-Membros foram instados a garantir que os navios recebam alimentos, água, combustível e outros suprimentos essenciais, a facilitar as trocas de tripulação e a manter a comunicação entre os marítimos e suas famílias.

O secretário-geral da IMO, Arsenio Dominguez, ao abrir a sessão, afirmou que os marítimos "não devem se tornar vítimas de tensões geopolíticas mais amplas", visto que cerca de 20.000 permanecem retidos em condições de alto risco. 

O Conselho também destacou os desafios operacionais, incluindo fadiga, tensão psicológica e interferência e falsificação generalizadas de sinais GNSS, que estão dificultando a navegação na região.

Resposta Global se consolida

Governos e grupos industriais alinharam-se amplamente à mensagem da IMO.

Os Emirados Árabes Unidos, que lideraram a iniciativa para a declaração, afirmaram que o resultado reflete um apoio internacional sem precedentes, enquanto a Austrália alertou que a crise transformou o Estreito em um "teatro de coerção e conflito".

Entidades do setor, incluindo a Câmara Internacional de Navegação, reiteraram os apelos por uma suspensão imediata dos ataques e por uma ação coordenada para restabelecer a segurança da navegação.

Entretanto, uma ampla coalizão que abrange os setores marítimo, portuário e logístico globais alertou que as interrupções agora estão afetando “operações marítimas, comunidades portuárias e cadeias de suprimentos internacionais”.

Apelo à desescalada

Para além da condenação, o Conselho instou à moderação, apelando a todas as partes para que “se empenhem numa diplomacia construtiva e se abstenham de atos que dificultem a navegação”.

A liderança da IMO também enfatizou que a crise não é mais apenas uma questão regional.

“Cada vez que o transporte marítimo é usado como dano colateral nesses conflitos, o mundo inteiro é afetado negativamente”, disse Dominguez, apontando para os impactos no comércio global, nos fluxos de energia e na segurança alimentar.

Um ponto de estrangulamento sob tensão

O Estreito de Ormuz — uma das vias mais importantes do mundo para o petróleo, o gás e o comércio global — continua gravemente afetado, enquanto os operadores avaliam os riscos de transitar por águas expostas a ataques com mísseis, drones e agentes marítimos.

Com milhares de embarcações e dezenas de milhares de marinheiros ainda presos na crise, a mensagem da IMO foi clara: "A inação não é uma opção".

FONTE: GCAPTAIN