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Programa do Estaleiro Juruá, no Amazonas, já formou 287 profissionais em soldagem e amplia oportunidades no setor hidroviário

Nos estaleiros amazônicos são construídas balsas e embarcações responsáveis por transportar pessoas, combustíveis, alimentos e mercadorias pelos rios, principais vias de deslocamento na região. Tradicionalmente dominada por homens, a atividade começa a registrar maior participação feminina impulsionada por iniciativas de qualificação profissional.

Criado pelo Estaleiro Juruá, em Iranduba (AM), na região metropolitana de Manaus, o programa de capacitação em soldagem tem ampliado a presença feminina na construção naval na Amazônia. Desde 2024, a iniciativa já formou 287 mulheres e abriu novas oportunidades de trabalho em um setor estratégico para o transporte hidroviário na região.

O curso oferecido pelo Estaleiro forma soldadoras nas técnicas MIG/MAG e eletrodo revestido. A capacitação tem 70 horas de duração, com aulas teóricas e práticas realizadas ao longo de cerca de 20 dias úteis, e certificação ao final da formação. Atualmente, outras 61 mulheres participam de novas turmas.

Além da formação profissional, o programa também tem impacto direto no mercado de trabalho. Atualmente, 210 participantes foram contratadas pelo estaleiro e hoje representam 27% do quadro de soldadores da empresa.

A iniciativa surgiu para enfrentar um desafio enfrentado por empresas do setor naval na região: a escassez de mão de obra qualificada. A primeira turma exclusiva para mulheres superou as expectativas e incentivou a criação de novas formações.

Transformação de trajetórias

Para muitas participantes, a capacitação representa uma oportunidade concreta de mudança de vida. É o caso da soldadora Jacira da Silva Pacheco, de 45 anos, que encontrou na formação uma nova perspectiva profissional.

Mãe de seis filhos, Jacira afirma que a nova profissão trouxe independência financeira e novas perspectivas para a família. “Hoje, sou independente, construí minha casa e conquistei meus bens graças a essa oportunidade. Ver uma embarcação pronta, sabendo que meu trabalho está ali, unindo cada peça de aço, é uma emoção indescritível”, diz.

A experiência também inspirou outros membros da família. Uma das filhas seguiu o mesmo caminho e hoje também atua como soldadora no estaleiro. “Se você, mulher, sonha em entrar para o estaleiro e tem algum receio, eu digo, acredite em você e tenha coragem. É um grande desafio, mas não é impossível”, completou Jacira.

Mulheres e o setor hidroviário 

A presença feminina tem crescido gradualmente em diferentes áreas ligadas ao transporte aquaviário e à indústria naval no Brasil. Iniciativas de qualificação profissional têm ampliado o acesso de mulheres a atividades técnicas e industriais, contribuindo para reduzir desigualdades históricas no mercado de trabalho.

Na Amazônia, onde os rios funcionam como as principais vias de deslocamento de pessoas e mercadorias, a construção e manutenção de embarcações são fundamentais para garantir a mobilidade e o abastecimento das comunidades. Nesse contexto, programas de capacitação como o desenvolvido pelo Estaleiro Juruá contribuem não apenas para ampliar oportunidades de trabalho, mas também para fortalecer a cadeia produtiva do transporte hidroviário e impulsionar o desenvolvimento regional.

FONTE: BENews

IMAGEM: SPLASH247.COM

Os ataques estão se intensificando em todo o Golfo, com petroleiros incendiados, um navio porta-contêineres atingido e tanques de combustível omanitas em chamas.

Grupos iranianos incendiaram dois navios-tanque de produtos químicos entre a noite de quarta-feira e a madrugada de quinta-feira, em meio à intensificação dos ataques contra a navegação comercial e a infraestrutura energética no Golfo Pérsico. As autoridades iraquianas identificaram as embarcações como o Safesea Vishnu, de 74.000 dwt, e o Zefyros, de 50.200 dwt. O grupo de monitoramento TankerTrackers.com informou que foram observadas transferências de carga entre os dois navios-tanque ao largo da costa sul do Iraque antes dos ataques.

Em um incidente separado na madrugada de quinta-feira, um navio porta-contêineres, o Source Blessing, de propriedade chinesa e com capacidade para 3.200 TEUs, foi atingido ao norte de Jebel Ali por um projétil não identificado, sofrendo danos materiais. A tripulação foi informada estar em segurança. O navio está atualmente sendo utilizado pela Gemini Corporation.

Com os ataques mais recentes, o número de embarcações comerciais alvejadas sobe para 15 desde que a coalizão EUA/Israel iniciou sua guerra contra o Irã, há 13 dias.

Em Omã, o porto de Salalah registrou tanques de armazenamento de combustível em chamas (foto abaixo) e alguns terminais foram fechados após o que as equipes de resgate filmaram como um ataque aéreo com drones a um parque de tanques – o segundo ataque à instalação desde o início da guerra.

Os ataques agravam uma crise crescente na navegação e nos seguros. "O Estreito de Ormuz permanece 'inacessível', com o risco adicional de minas; no entanto, Fujairah e Mina Al Fahal, em Omã, ainda representam uma possibilidade vaga... A única certeza é a incerteza", afirmou a corretora Fearnleys, resumindo o sentimento do mercado, enquanto armadores redirecionam rotas e colocam navios em reserva, com quase um terço de todos os VLCCs (Very Large Crude Carriers) parados, segundo estimativas do SEB, um banco escandinavo.

A intensificação das greves está provocando repercussões globais. “O Oriente Médio está na encruzilhada das principais rotas comerciais globais. A interrupção na região terá impacto nas cadeias de suprimentos globais, com viagens mais longas, atrasos e a necessidade de reorganizar as redes de transporte marítimo para manter o fluxo comercial”, disse Joe Kramek, presidente e CEO do World Shipping Council, o grupo de lobby global do setor de transporte marítimo de linha regular.

FONTE: SPLASH247.COM

 

Em resposta ao Juízo de Direito da 1ª Vara da Comarca de Coari (AM), o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) solicitou a abertura de inquérito policial para apurar denúncias de assédio e perseguição contra uma marítima que atuava na inspeção náutica no Terminal Aquaviário de Coari, da Transpetro. A identidade da profissional está sendo mantida em sigilo.

Conforme a manifestação da promotoria, a trabalhadora relata ter sofrido repetidas ofensas, constrangimentos e atitudes intimidatórias no ambiente laboral. Essas agressões comprometeram gravemente sua saúde física e mental, mantendo-a, até o momento, sob tratamento psiquiátrico. A representação aponta, ainda, que a gerência local teria sido omissa diante dos relatos apresentados.

O Sindmar já vinha alertando a Transpetro que a terceirização de inspetores náuticos teria potencial para gerar conflitos dessa natureza, além de não contribuir para a manutenção de uma relação de trabalho decente.

Considerando a gravidade do cenário, o MP requereu que a polícia investigue as condutas narradas, ouça os envolvidos e reúna provas, tais como comunicações internas, depoimentos de testemunhas e registros de reuniões realizadas no posto.

O caso envolve possíveis crimes de perseguição e violência psicológica contra a mulher, além da eventual responsabilidade de gestores do terminal que tinham o dever de agir perante as queixas.

O Sindmar acompanha o caso de perto e informa que já está prestando toda a assistência jurídica e o suporte necessários à oficial associada. O Sindicato reafirma seu compromisso intransigente com a segurança dos trabalhadores e trabalhadoras, e reforça que não tolerará qualquer forma de abuso no ambiente marítimo.

Além de monitorar o inquérito, cobramos da Transpetro que adote medidas rigorosas de conformidade e acolhimento, garantindo que o dever de agir dos administradores seja cumprido com transparência. Neste episódio, a trabalhadora terceirizada foi demitida enquanto os agressores seguem empregados – fato que reforça o entendimento de que tal modelo de contratação é um mal a ser combatido duramente pelas entidades sindicais.

IMAGEM: SPLASH247.COM/DIVULGAÇÃO

Navios que se aventuram a entrar na zona de perigo continuam sendo atingidos dentro e ao redor do Estreito de Ormuz, no 12º dia do conflito entre o Irã e a coalizão EUA/Israel.

O ataque mais severo de hoje foi contra o navio Mayuree Naree, de bandeira tailandesa e controlado pela Precious Shipping, que foi atingido por um projétil ao norte de Omã, no estreito, resultando em um incêndio e na evacuação da tripulação. O incêndio foi extinto após algumas horas.

O navio ONE Majesty, de bandeira japonesa e capacidade para 6.724 TEUs, também sofreu danos em um ataque separado. O comandante do navio relatou que a embarcação sofreu um furo de 10 cm. O navio porta-contêineres já se dirigiu para uma ancoragem segura. Todos os tripulantes estão seguros e foram contabilizados.

O navio graneleiro kamsarmax Star Gwyneth, da Star Bulk, de bandeira das Ilhas Marshall, também foi atingido a noroeste de Dubai, sofrendo danos ao casco. Toda a tripulação está a salvo, em um dos dias mais perigosos para a navegação comercial desde o ataque a Teerã. As forças militares dos EUA informaram durante a noite que eliminaram vários navios de guerra iranianos, incluindo 16 navios lança-minas, perto do Estreito de Ormuz.

O presidente dos EUA, Donald Trump, recorreu às redes sociais ontem para instar o Irã a remover quaisquer minas marítimas que possa ter colocado no estreito.

Para o transporte marítimo internacional – e para a economia global como um todo – o foco agora está em quanto tempo essa guerra irá durar.

“Por enquanto, a variável-chave é a duração”, afirmaram analistas da corretora grega Xclusiv em um novo relatório. “A história do transporte marítimo oferece precedentes bastante contrastantes: o fechamento do Canal de Suez em 1967 desencadeou um boom de vários anos para navios-tanque, enquanto a crise do petróleo de 1973 acabou destruindo a demanda. Se a interrupção em Ormuz se mostrar temporária, o efeito imediato poderá ser fortemente favorável aos lucros e ao valor dos ativos dos navios-tanque. Mas se o conflito evoluir para uma guerra regional prolongada, o risco passa de um choque de oferta para danos macroeconômicos. No transporte marítimo, a diferença entre esses dois resultados é a diferença entre um ganho inesperado de frete e um colapso da demanda.”

FONTE: SPLASH247.COM

IMAGEM: FOLHA EXPRESSA

Na Câmara dos Deputados ainda não houve definição da pauta de plenário. Está agenda para está segunda-feira (16), reunião de líderes partidários para definição da pauta de votações no plenário da Casa.

Criação de cargos

No plenário do Senado pode ser votado o PL 5490/2025, que dispõe sobre a criação de cargos efetivos, cargos em comissão e funções comissionadas no Quadro de Pessoal do Conselho Nacional de Justiça. Ainda pendente de parecer, a matéria já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, passando pelo Senado seguirá para sanção do Presidente.

Reajuste

Outro projeto em pauta é o PL 3879/2024, que estabelece o reajuste dos vencimentos básicos dos cargos efetivos, dos cargos em comissão e das funções comissionadas dos servidores do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do Ministério Público; define a Política Institucional do Ministério Público da União como a unidade administrativa responsável pelas atividades de segurança institucional.

O projeto também altera a Lei nº 13.316, de 20 de julho de 2016, para modificar a nomenclatura dos Técnicos do Ministério Público da União que exercem as funções de segurança institucional. O projeto também aguarda parecer.

Ainda sobre projetos de servidores do judiciário, o plenário pode votar também o PL 2004/2024, que altera a Lei nº 14.377, de 22 de junho de 2022, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreiras e Cargos de Provimento Efetivo dos Servidores da Defensoria Pública da União e fixa o valor de suas remunerações.

COMISSÕES CÂMARA DOS DEPUTADOS

CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA

Redução de jornada

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados pode votar o PL 2458/2025 que altera a Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, para dispor sobre a redução da jornada de trabalho de empregado que tenha filho, enteado, criança sob guarda judicial ou dependente com Transtorno do Espectro Autista ou Síndrome de Down. De autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o relator da matéria no colegiado é o deputado Ricardo Ayres (REPUBLICANOS-TO) e seu parecer é pela constitucionalidade da matéria.

Instalações sanitárias para trabalho ao céu aberto

Outra matéria em pauta é o PL 2351/2024 que cria o Programa Trabalhador Cidadão, para assegurar o acesso dos trabalhadores que trabalham a céu aberto às instalações sanitárias de órgãos públicos e de empresas. O projeto é de autoria do deputado Gilberto Abramo (REPUBLICANOS-MG) e a relatoria é do Ricardo Ayres (REPUBLICANOS-TO) e seu parecer é pela constitucionalidade da proposição.

Piso salarial dos agentes comunitários de saúde

O colegiado pode votar também a PEC 18/2022 acrescenta o § 9º-A ao art. 198 da Constituição Federal, para criar piso salarial diferenciado para os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias detentores de formação técnica, nos termos que especifica. A PEC conta com parecer pela admissibilidade do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). A comissão se reúne nesta terça-feira (17) às 15h30 no plenário 1 do anexo II da Casa.

Fim da escala 6x1

Na quarta-feira (18), a comissão debate a PEC 8/2025, que trata da redução de jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. A convidada é Débora Freire, Subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda. O debate será às 14h no plenário 1 do anexo II da Casa.

TRABALHO

Planos e metas do Ministério do Trabalho

Nesta quarta-feira (18), o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, irá até a comissão de Trabalho para apresentação dos planos e metas do Ministério para o ano de 2026. A reunião será às 10h no plenário 12 do anexo II da Casa.

Redução de jornada

Ainda sem confirmação oficial, é possível que o colegiado paute a PL 67/2025, que trata da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. O projeto é de autoria da deputada Dai?na Santos (PcdoB-RS) e tem como relator o deputado Léo Prates (PDT-BA) que apresenta parecer pela aprovação da matéria.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Trabalho aos domingos

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados pode votar o PDL 427/2019 que susta a Portaria nº 604, de 18 de junho de 2019, que "dispõe sobre a autorização permanente para trabalho aos domingos e feriados civis e religiosos a que se refere o artigo 68, parágrafo único, da Consolidação das Leis do Trabalho. De autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), a matéria conta com parecer contrário do relator, deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT).

Bancos comunitários

Outro projeto em pauta é o PL 52/2025 que altera a Lei nº 15.068, de 23 de dezembro de 2024, para dispor sobre os bancos comunitários. De autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF), o projeto tem como relator no colegiado a deputada Antônia Lúcia (REPUBLICANOS-AC) e seu parecer é pela aprovação. A comissão se reúne às 10h nesta quarta-feira (18) no plenário 5 do anexo II da Casa.

DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

Escala 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana.

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados debate nesta quarta-feira (18), os impactos da escala 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana.

Entre os convidados estão o ministro Chefe da Secretária-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG); representantes dos ministérios do Trabalho e Emprego, Direitos Humanos e da Cidadania e do Ministério Público do Trabalho.

Também vão debater o tema representantes da Organização Internacional do Trabalho - OIT no Brasil e Ricardo Antunes, sociólogo do trabalho. A reunião será no plenário 9 do anexo II às 16h. O debate é interativo, e os internautas podem encaminhar perguntas pelo site da comissão.

SAÚDE

Comissão debate programa de acesso a especialistas no SUS

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater o Programa Agora Tem Especialista (PATE), voltado à ampliação do acesso da população a consultas e atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é do deputado Dr. Frederico (PRD-MG).

O debate contará com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), da Confederação Nacional de Municípios (CNM), do Conselho Federal de Medicina e da Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos.

A discussão aborda política pública relacionada à organização da assistência especializada no SUS, tema que pode impactar o acesso dos trabalhadores aos serviços de saúde e as condições de atuação dos profissionais do setor. A audiência será às 10h, no plenário 7 do anexo II da Casa.

PREVIDÊNCIA, ASSISTÊNCIA SOCIAL, INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E FAMÍLIA

Garantia de estabilidade provisória às empregadas e empregados

A Comissão Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados pode votar o PL 424/2024, da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que dispõe sobre a garantia de estabilidade provisória às empregadas e empregados diagnosticados com câncer de colo uterino, de mama e colorretal. Ofereceu parecer pela aprovação na forma de substitutivo à relatora, deputada Silvia Cristina (PP-RO).

Transparência e publicidade de requerimentos previdenciários do INSS

O colegiado pode votar também o PL 2395/2025, do deputado Cobalchini (MDB-SC), que dispõe sobre a obrigatoriedade de transparência e publicidade nos processos administrativos de requerimentos de benefícios previdenciários no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. 

O deputado Ruy Carneiro (PODEMOS-PB), relator da matéria, apresentou parecer pela aprovação na forma do substitutivo. A reunião acontece no plenário 7 do anexo II da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (18), às 14h.

FONTE: DIAP

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Os dois navios da Marinha iraniana que receberam refúgio em portos estrangeiros esta semana, o IRINS Bushehr (K422) em Kochi, Índia, e o IRINS Lavan (L514) no Sri Lanka, estavam em um cruzeiro de treinamento para cadetes da Academia Naval da Marinha Iraniana em Nowshahr, formalmente conhecida como Universidade Iman Khomeini de Ciências Navais. Isso explica por que ambos os navios tinham tripulações excepcionalmente grandes.

O cruzeiro de treinamento de inverno de seis semanas para cadetes da Marinha era um evento anual. O cruzeiro de treinamento de 2025 foi realizado pelo IRINS Bushehr e pelo IRINS Lavan, que compunham a 100ª Flotilha. A flotilha do ano passado fez escalas em Mumbai e Colombo, sendo recebida calorosamente pelas marinhas anfitriãs em ambos os portos. Os cadetes também tiveram uma experiência de serviço em uma área operacional, já que a flotilha também passou algum tempo no Golfo de Aden. Embora Mumbai e Colombo sejam portos de escala regulares para o cruzeiro de treinamento de inverno, em alguns anos, Muscat e Karachi também foram visitados.

Ambos os navios são muito antigos: o navio de abastecimento da frota IRINS Bushehr foi construído na Alemanha em 1974 e o navio de desembarque IRINS Lavan em Yarrow, Glasgow, em 1985. O IRINS Lavan e seu navio irmão, o IRINS Tunb (L513), foram usados ​​no passado como plataformas de lançamento de drones durante exercícios. Pelas fotos dos navios atracados em Colombo no ano passado, ambos parecem estar bastante enferrujados e o IRINS Lavan, em particular, aparentava ter condições de navegabilidade duvidosas. Portanto, o pedido do IRINS Bushehr para atracar na Índia devido a problemas mecânicos é plausível.

De acordo com o Direito da Guerra Naval, reconhecido internacionalmente, navios de guerra de uma nação beligerante que atracam em um porto neutro podem permanecer por apenas 24 horas e sob condições rigorosas; tripulações e navios que violarem essas condições estão sujeitos a internação até a cessação das hostilidades.

FONTE: THE MARITIME EXECUTIVE

 

IMAGEM: SÉRGIO LIMA/PODER360

O Ministério Público do Trabalho (MPT) defendeu, em audiência pública no Tribunal Superior do Trabalho (TST), a necessidade de estabelecer limites para a negociação coletiva que autoriza a ampliação da jornada em atividades insalubres. A manifestação ocorreu durante discussão do Tema 149, submetido ao rito dos recursos repetitivos, que definirá precedente vinculante sobre a matéria.

O subprocurador-geral do Trabalho, Francisco Gerson de Lima, representante do MPT na audiência, defendeu que a tese a ser fixada pela Corte trabalhista condicione a validade da cláusula coletiva à comprovação efetiva da existência de insalubridade no ambiente de trabalho. Segundo ele, a proposta não representa impedimento à negociação coletiva, mas estabelece critério para sua legitimidade.

Lima rebateu argumentos de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estaria defasada e destacou que a discussão central envolve proteção à saúde do trabalhador. "Não estamos tratando de mera ampliação de jornada, mas de saúde em ambiente hostil ao trabalhador", afirmou.

O relator do processo no TST, ministro Douglas Alencar Rodrigues, ressaltou que o debate está alinhado ao Tema 1.046 do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a validade de acordos coletivos desde que respeitados direitos fundamentais. O ministro também mencionou a possibilidade de nova audiência pública para aprofundar a controvérsia.

Setor produtivo

Representantes do setor de saúde e da indústria defenderam a manutenção da validade das negociações coletivas sobre jornada em ambientes insalubres.

Nelson Mannrich, da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), argumentou que a negociação não suprime normas de saúde e segurança, nem elimina o adicional de insalubridade. Sustentou que o que se negocia são aspectos como duração do trabalho e intervalos, matérias delegadas pelo legislador à negociação coletiva.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da advogada Carolina Tupinambá, defendeu que as entidades sindicais conhecem melhor a realidade de cada setor. Invocou o artigo 60 da CLT, que exige autorização prévia para prorrogação de jornada em atividades insalubres, mas argumentou que o dispositivo teria sido derrogado pela Constituição de 1988, que estimula o diálogo coletivo.

O Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihosp) alertou que decisão contrária à negociação poderá impactar a rotina hospitalar, especialmente na escala 12x36, adotada por trabalhadores da saúde.

FONTE: DIAP

IMAGEM: NEWS.AZ

O secretário-geral Arsenio Dominguez afirmou que os marinheiros não devem ser alvos, após relatos de mortes de marinheiros no Oriente Médio.

O Secretário-Geral da Organização Marítima Internacional, Sr. Arsenio Dominguez, emitiu a seguinte declaração:

“Estou alarmado e profundamente entristecido ao saber do ataque mortal a uma embarcação no Estreito de Ormuz em 6 de março de 2026, no qual pelo menos quatro marinheiros teriam perdido a vida e três ficaram gravemente feridos.

Meus pensamentos estão com as famílias e entes queridos dos afetados, bem como com a comunidade marítima global que lamenta essas perdas.

Cerca de 20.000 marinheiros permanecem retidos no Golfo Pérsico, a bordo de navios sob risco elevado e considerável pressão psicológica.

Isso é inaceitável e insustentável. Todas as partes e interessados ​​têm a obrigação de tomar as medidas necessárias para garantir a proteção dos marinheiros, incluindo seus direitos e bem-estar, e a liberdade de navegação, em conformidade com o direito internacional.

FONTE: IMO

IMAGEM: PORTO DE SANTOS/DIVULGAÇÃO

Primeiro mês do ano com números positivos no Estatístico Aquaviário da ANTAQ

Soja está entre as mercadorias de maior destaque, com 4 milhões de toneladas movimentadas - número que representa um aumento de 114% em comparação ao mesmo período de 2025

A Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (ANTAQ) divulgou, hoje (13), os números dos dados estatísticos relativos à movimentação portuária registrados em janeiro de 2026. O primeiro mês do ano traz o total de 104 milhões de toneladas movimentadas, um crescimento de 12,8% se comparado ao mesmo mês de 2025. Ao divulgar esses dados, a Agência reforça seu papel técnico de fornecer informações confiáveis ao setor privado e, desse modo, as empresas podem planejar e tomar as melhores decisões no mercado aquaviário. 

Movimentação de mercadorias

Em janeiro deste ano, as mercadorias que se destacaram entre as 20 com maiores movimentações foram a soja (4 milhões de toneladas, um aumento de 114,3%), o óleo bruto de petróleo, com 21,4 milhões de toneladas movimentadas e crescimento de 37,6% e o coque de petróleo, que aumentou 32,7% em relação ao mesmo período, movimentando 0,6 milhão. 

Recorde nos portos

Os portos públicos cresceram 10,3% e chegaram a 35,3 milhões de toneladas de cargas. O Porto de Santarém, no Pará (PA), continua se destacando entre as 20 instalações com maior crescimento, apresentando 1,6 milhão de toneladas movimentadas.

Consolidação de contêineres

Foram 13,2 milhões de toneladas movimentadas em janeiro deste ano. Esse dado representa um crescimento de 1,9% quando comparado com o mesmo período de 2025. 

Em TEUs, a movimentação chegou a 1,3 milhão, com crescimento de 8,1%. Desse total, 864 mil TEUs foram movimentados em longo curso e 379 mil por cabotagem. 

Cargas e Navegação

Em relação aos granéis sólidos, a movimentação atingiu 54,7 milhões de toneladas (aumento de 10,4%) e os granéis líquidos chegaram a 31,2 milhões de toneladas (aumento de 29,7% quando comparado à 2025). Já para a carga geral solta, a movimentação foi de 4,9 milhões de toneladas, uma queda de 13,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

A movimentação de cargas de longo curso foi de 70,9 milhões de toneladas em janeiro de 2026 (+11%). A cabotagem alcançou uma movimentação de 27,4 milhões de toneladas (+13,7%), enquanto que a navegação interior chegou a 5,5 milhões de toneladas, um crescimento de 36% no comparativo janeiro de 2025/2026.

Terminais Privados

A movimentação dos terminais privados alcançou 68,7 milhões de toneladas de cargas em janeiro - representando um crescimento de 14,1% no comparativo com 2025.

Nessa categoria, destaque para Terminal de Petróleo TPET/TOIL, em Porto do Açu  (RJ), que teve o maior crescimento relativo entre as 20 instalações com maior movimentação em janeiro deste ano: foram 7,7 milhões de toneladas, representando um aumento de 159,8% na comparação com jan/2025.

FONTE: ANTAQ

 IMAGEM: X.COM

Com os preços do petróleo disparando no início do pregão, registrando o maior ganho percentual diário desde 1988, e as taxas de frete à vista em seus níveis mais altos da história, o conflito em curso entre o Irã e a coalizão EUA/Israel – que já dura dez dias – continua a pesar fortemente sobre a economia global.

O Índice Clarksea – o barômetro ponderado da Clarksons Research que abrange todos os segmentos de transporte marítimo comercial – atingiu na sexta-feira um recorde histórico de US$ 53.319, ultrapassando os US$ 50.000 pela terceira vez. As duas ocasiões anteriores ocorreram no auge do boom de 2007/08, e o valor excepcional de sexta-feira contrasta com a sólida média de US$ 26.836 por dia projetada para 2025.

"Além do enorme risco operacional e da tensão, os mercados de transporte marítimo estão vivenciando um 'potencial de disrupção' no momento", observou a Clarksons em seu último relatório semanal.

Entretanto, os preços do petróleo ultrapassaram os US$ 115 por barril pela primeira vez desde 2022 na segunda-feira, com importantes distribuidoras de energia no Oriente Médio declarando força maior, incluindo a BABCO, companhia petrolífera do Bahrein, portos do Kuwait e Ras Laffan, no Catar.

O navio petroleiro Kalamos VLCC, de 16 anos e pertencente à Embiricos, fez história na sexta-feira ao ter seu frete fixado pela Bharat Petroleum Corp por uma impressionante taxa recorde mundial de US$ 770.000 por dia. No entanto, analistas sugerem que o incrível boom dos VLCCs pode ser de curta duração se o Estreito de Ormuz permanecer paralisado por um longo período.

A perda persistente de volumes pode desencadear pressões no mercado, sugeriu a Clarksons, com as taxas spot de VLCC na Baltic Exchange recuando no final da semana passada.

A corretora de navios-tanque Poten & Partners descreveu a situação em torno de Ormuz como "insustentável" em seu último relatório semanal.

“Eventualmente, os petroleiros que aguardam do lado de fora deixarão a área em busca de trabalho em outros lugares”, previu Poten. “Os produtores do Oriente Médio serão cada vez mais forçados a interromper a produção e a redução do fluxo global de petróleo afetará a demanda por tonelada-milha. Nesse cenário, as taxas de frete de petroleiros sofrerão forte pressão de baixa.”

Analistas de transporte marítimo do SEB, um banco escandinavo, previram que, com o Golfo Pérsico permanecendo efetivamente fechado, mais e mais navios sem lastro seguirão para o Atlântico para transportar cargas, o que acabará por superlotar esse mercado e pressionar as taxas de frete.

O conflito em curso já ceifou a vida de marinheiros na região. Um rebocador que prestava assistência ao navio porta-contêineres Safeen Prestige, atacado, também foi alvo de um ataque na sexta-feira, resultando na morte de pelo menos quatro tripulantes.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, Arsenio Dominguez, reiterou o apelo para que o transporte marítimo internacional não seja alvo de ataques.

“Isto é inaceitável e insustentável. Todas as partes e partes interessadas têm a obrigação de tomar as medidas necessárias para garantir a proteção dos marítimos, incluindo os seus direitos e bem-estar, e a liberdade de navegação, em conformidade com o direito internacional”, disse Dominguez na sexta-feira.

FONTE: SPLASH247.COM

 

IMAGEM: BING
 
A escalada militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos levou a ataques e a ameaças contra navios mercantes. Com o acirramento do conflito no Golfo Pérsico e reflexos para a gente do mar, a Conttmaf encaminhou à Transpetro uma proposta para incluir de forma mais clara, no acordo coletivo de trabalho (ACT), o direito de recusa para zonas de guerra, previsto na Convenção do Trabalho Marítimo (MLC).

É importante registrar que a alta administração da empresa, ainda no início do conflito, informou à Conttmaf que não havia embarcações na zona de guerra e que teria solicitado à Petrobras não programar navios brasileiros para operação na região.

Contudo, para que nossos marítimos tenham mais segurança e transparência em relação aos seus direitos, propusemos incluir uma cláusula específica no ACT Marítimos Transpetro 2025/2027 sobre o “Direito de Recusa em Viagem a Zona de Guerra”.

“Desejamos estabelecer uma garantia clara para os nossos marítimos no ACT da Transpetro, uma cláusula específica que regule o direito de recusa caso algum navio da companhia, por algum motivo, tenha que navegar ou operar em zona de guerra. Essa iniciativa se alinha, também, ao que temos discutido internacionalmente na ITF como proteção básica aos marítimos”, declarou o presidente da Conttmaf e do Sindmar, Carlos Müller.

No Brasil, a Transpetro é a única empresa que operou navios de bandeira brasileira na região conflagrada em anos recentes. A representação sindical esclarece que esta demanda não deve ser objeto de barganha na negociação do ACT, pois visa regulamentar apropriadamente um direito que a própria Transpetro já informou que irá cumprir.

“Esperamos que a Transpetro contemple a cláusula proposta pela Conttmaf, se mantendo em patamar igual ou superior ao mínimo praticado pelos armadores internacionalmente”, concluiu Müller.

Neste momento, mais de 20 mil marítimos estão na zona de guerra do Golfo, muitos dos quais pegos de surpresa pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Cláusula proposta pela Conttmaf:

Cláusula – Direito de Recusa em Viagem a Zona de Guerra
Nenhum empregado marítimo será obrigado a embarcar, permanecer embarcado ou navegar em navio da Companhia que tenha previsão de operar em área classificada como zona de guerra.

Parágrafo primeiro – Caso o navio venha a ser direcionado para operação ou navegação em área classificada como zona de guerra, a Companhia deverá informar previamente a tripulação tão logo tenha conhecimento dessa circunstância. O empregado marítimo poderá solicitar seu desembarque em porto seguro antes da entrada do navio na referida área, o qual deverá ser definido e comunicado pela Companhia.

Parágrafo segundo – O exercício do direito previsto no caput desta cláusula não implicará em qualquer forma de sanção disciplinar, prejuízo funcional, restrição a futuras escalas de embarque, promoções ou qualquer outra medida que possa caracterizar discriminação profissional.

Parágrafo terceiro – O empregado marítimo que optar por não permanecer a bordo para viagem a zona de guerra terá assegurado o direito à repatriação, inclusive transporte, hospedagem, alimentação e demais despesas envolvidas na logística necessária até sua cidade de referência, às expensas da Companhia.

Parágrafo quarto – Alternativamente, caso haja disponibilidade operacional e logística, o empregado marítimo poderá solicitar transferência para outro navio da Companhia, a fim de completar o período de embarque já iniciado. Nesse caso, os dias em transferência entre navios serão considerados como dias de embarque contínuo.

Parágrafo quinto – Para os fins desta cláusula, consideram-se zonas de guerra aquelas oficialmente designadas por organismos internacionais ou autoridades marítimas competentes, incluindo as áreas classificadas pelo Joint War Committee (JWC) dos seguradores de Londres, responsável pela definição das “Listed Areas” utilizadas no mercado internacional de seguros marítimos.

Parágrafo sexto – As atualizações e revisões das áreas de risco divulgadas pelos organismos mencionados nesta cláusula serão automaticamente consideradas para os fins deste Acordo Coletivo de Trabalho.

Parágrafo sétimo – O empregado marítimo que optar por permanecer a bordo durante viagem que envolva operação ou trânsito em zona de guerra fará jus aos seguintes benefícios e vantagens enquanto o navio permanecer na referida área:

I. pagamento das diárias adicionais de zona de guerra, nos termos previstos na Cláusula da Diária de Viagem ao Exterior, assegurado o pagamento mínimo correspondente a 10 dias de diária dobradas, ainda que a navegação e permanência na área sejam concluídas em prazo inferior.

II. majoração de 100% dos valores previstos na Cláusula do Autosseguro.

 

IMAGEM: DIVULGAÇÃO

A 2ª CNT (Conferência Nacional do Trabalho) encerrou as atividades com a divulgação de declaração final que propõe agenda de modernização das relações de trabalho no Brasil baseada no diálogo entre trabalhadores, empregadores e governo.

O documento sustenta que o País precisa atualizar o modelo laboral para enfrentar as transformações tecnológicas, econômicas e sociais que estão redefinindo o mundo do trabalho.

Realizada entre os dias 3 e 5 de março, a etapa nacional da conferência reuniu mais de 3 mil representantes de entidades sindicais, empresários e gestores públicos, além de delegados oriundos de 27 etapas estaduais e distrital (DF).

Segundo os organizadores, o objetivo foi construir consensos mínimos capazes de orientar políticas públicas e negociações trabalhistas em período marcado por profundas mudanças estruturais.

“O Brasil se fortalece quando brasileiras e brasileiros rompem barreiras para dialogar e construir propostas que ampliem os horizontes do trabalho”, está escrito no documento final aprovado pelos delegados.

TRANSFORMAÇÕES TECNOLÓGICAS

Um dos eixos ou pontos centrais da declaração é o impacto das transformações tecnológicas no emprego e na organização produtiva. O texto destaca que a aceleração da automação e o avanço da inteligência artificial generativa1 criam novos desafios para o trabalho humano, especialmente para atividades qualificadas.

“O mundo do trabalho enfrenta transformações de ritmo intenso, buscando acompanhar as mudanças tecnológicas que levam à automação”, registra o documento.

Segundo os delegados, essa transição exige investimentos em inovação, tecnologia e qualificação profissional para evitar aumento do desemprego estrutural e da informalidade.

A conferência também apontou a necessidade de políticas públicas capazes de acompanhar a reconfiguração das cadeias globais de produção e seus efeitos sobre a competitividade das empresas brasileiras.

TRANSIÇÕES DEMOGRÁFICA E CLIMÁTICA

Além da revolução tecnológica, o texto identifica outras 3 grandes transições que impactam o mundo do trabalho: demográfica, ambiental e comunicacional.

A transição demográfica2, marcada pela redução das taxas de natalidade e pelo aumento da expectativa de vida, tende a alterar o perfil da força de trabalho nas próximas décadas. A transição ambiental3, relacionada às mudanças climáticas, impõe novos desafios à economia diante da intensificação de eventos climáticos extremos.

Segundo os delegados, esses fatores exigem políticas integradas que conciliem crescimento econômico, sustentabilidade e geração de empregos.

PRODUTIVIDADE E JUSTIÇA SOCIAL

A declaração final sustenta que o Brasil precisa elevar seus níveis de produtividade sem abrir mão da inclusão social. Para os participantes da conferência, a modernização das relações de trabalho deve caminhar com políticas de redução das desigualdades.

“Atualizar o paradigma das relações de trabalho no Brasil é fundamental para nos alinharmos aos países desenvolvidos e alcançarmos maiores patamares de produtividade”, está escrito no documento.

A conferência também defendeu a criação de ambiente econômico favorável ao investimento produtivo, com expansão do crédito e fortalecimento da competitividade das empresas.

Ao mesmo tempo, ressaltou que o desenvolvimento deve garantir salários dignos, acesso à educação de qualidade e combate às discriminações.

PAPEL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO

Outro ponto enfatizado pelos delegados foi o papel estratégico do Ministério do Trabalho e Emprego na condução das políticas públicas orientadas ao emprego e às relações laborais.

Segundo a declaração, o fortalecimento institucional da pasta é essencial para consolidar programas como a valorização do salário mínimo, a lei de igualdade salarial e iniciativas de crédito orientadas aos trabalhadores.

“Seu fortalecimento e modernização são fundamentais para que políticas públicas respondam aos desafios atuais do mundo do trabalho”, afirma o documento.

Entre as diretrizes destacadas pela conferência estão o aprimoramento das políticas de intermediação de mão de obra, a ampliação da qualificação profissional contínua e o fortalecimento de instrumentos como o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

AGENDA DE NEGOCIAÇÃO

Apesar do esforço de construção de consensos, o documento reconhece que diversos temas permanecem em aberto e exigirão novas rodadas de negociação.

Entre esses estão o trabalho intermediado por aplicativos, o combate à informalidade, as novas formas de organização do trabalho, a discussão sobre jornada e escalas laborais e o fortalecimento das entidades sindicais.

“A responsabilidade pela adaptação é coletiva”, afirma a declaração.

A conferência também reafirmou a importância da negociação coletiva e do diálogo social como instrumentos centrais para resolver conflitos trabalhistas e construir soluções duradouras.

DIÁLOGO PERMANENTE

Inspirada no modelo tripartite da OIT (Organização Internacional do Trabalho), a 2ª Conferência Nacional do Trabalho defendeu a institucionalização de espaços permanentes de diálogo entre governo, trabalhadores e empregadores.

O documento recomenda fortalecer conselhos e instâncias de concertação social, como o Conselho Nacional do Trabalho, o Codefat e o Conselho Curador do FGTS, além de estimular fóruns semelhantes nos estados.

Segundo os delegados, a experiência da conferência mostra que a construção de consensos é possível mesmo em cenário de divergências políticas e econômicas.

“Planejada como um exercício democrático de diálogo social, a 2ª CNT aponta caminhos para outras esferas da vida política nacional. Todos nós saímos vencedores. O Brasil sai vencedor”, conclui a declaração final aprovada em São Paulo.

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1 GenAI (Inteligência Artificial Generativa) é um tipo de IA focado em criar novos conteúdos — textos, imagens, códigos, vídeos e músicas — a partir de padrões aprendidos em grandes bases de dados.

2 A transição demográfica no Brasil é caracterizada pela rápida transição de sociedade jovem e rural para população envelhecida e urbana, marcada pela queda acentuada nas taxas de natalidade (1,75 filho/mulher) e mortalidade, além do aumento da expectativa de vida. Atualmente, na 3ª fase, o País enfrenta desaceleração do crescimento populacional, envelhecimento populacional e o fim do “bônus demográfico”. Período em que a população em idade ativa (15 a 64 anos) é superior à de dependentes (crianças e idosos), que está próximo de terminar, exigindo investimentos em produtividade.

3 A transição ambiental ou ecológica, que busca modelo de desenvolvimento mais verde, representa alternativa crucial para mitigar os impactos das mudanças climáticas e aliviar a pressão exercida pelo sistema econômico sobre o meio ambiente.

FONTE: DIAP