IMAGEM: NATIONAL GEOGRAPHIC

O fechamento do Estreito de Ormuz concentrou a atenção mundial no fluxo de mercadorias que saem do Golfo Pérsico, incluindo 20% do petróleo mundial e 30% dos fertilizantes. Mas, igualmente importante, as cargas não estão chegando, e a região depende de importações para a maior parte de seus alimentos. 

A maioria das principais companhias de transporte marítimo de contêineres do mundo suspendeu as reservas de carga para o mercado do Golfo porque não conseguem atravessar o Estreito. Existem alternativas por terra, através da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, mas a capacidade é limitada e os custos são elevados. Na quarta-feira, o presidente da Maersk, Robert Maersk Uggla, afirmou que havia uma "necessidade urgente" de importação de alimentos para o mercado do Golfo, incluindo entregas que exigem refrigeração. "Como o Estreito de Ormuz está fechado por enquanto, estamos tentando encontrar outras maneiras de levar a carga para o Golfo", disse ele à Reuters. 

A China Cosco, quarta maior empresa de transporte marítimo de contêineres do mundo, anunciou na quarta-feira que retomará o recebimento de reservas para os Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait e Iraque – todos os países (exceto o Irã) afetados pela paralisação. 

Embora amplamente divulgado como um anúncio da retomada do trânsito pelo Estreito de Ormuz, parece que a Cosco não pretende enviar navios para atender destinos no Golfo. Um mapa em chinês que acompanha o anúncio da Cosco sugere que os contêineres seriam descarregados em Fujairah e transportados por via terrestre, um desenvolvimento confirmado por diversos analistas de frete chineses. O serviço espelha os acordos feitos anteriormente pela CMA CGM para transportar cargas por via terrestre através de portos vizinhos no Golfo de Omã, Mar Arábico e Mar Vermelho. 

A Cosco afirmou que o serviço continua sujeito a alterações com base em desenvolvimentos futuros em uma situação de segurança "instável". 

Essas rotas alternativas para o Golfo podem incluir um componente marítimo como parte de uma cadeia intermodal. A Gulftainer firmou um acordo com a Mawani, a autoridade portuária saudita, para estabelecer um serviço de conexão ligando Khor Fakkan a Sharjah e, ​​em seguida, por via marítima, a Dammam. A conexão simula a maior parte de uma viagem totalmente marítima do Oceano Índico até o importante porto saudita, mas substitui o trecho por uma curta travessia terrestre pelos Emirados Árabes Unidos para contornar o Estreito de Ormuz. 

FONTE: THE MARITIME EXECUTIVE

IMAGEM: BNC AMAZONAS

Programa do Estaleiro Juruá, no Amazonas, já formou 287 profissionais em soldagem e amplia oportunidades no setor hidroviário

Nos estaleiros amazônicos são construídas balsas e embarcações responsáveis por transportar pessoas, combustíveis, alimentos e mercadorias pelos rios, principais vias de deslocamento na região. Tradicionalmente dominada por homens, a atividade começa a registrar maior participação feminina impulsionada por iniciativas de qualificação profissional.

Criado pelo Estaleiro Juruá, em Iranduba (AM), na região metropolitana de Manaus, o programa de capacitação em soldagem tem ampliado a presença feminina na construção naval na Amazônia. Desde 2024, a iniciativa já formou 287 mulheres e abriu novas oportunidades de trabalho em um setor estratégico para o transporte hidroviário na região.

O curso oferecido pelo Estaleiro forma soldadoras nas técnicas MIG/MAG e eletrodo revestido. A capacitação tem 70 horas de duração, com aulas teóricas e práticas realizadas ao longo de cerca de 20 dias úteis, e certificação ao final da formação. Atualmente, outras 61 mulheres participam de novas turmas.

Além da formação profissional, o programa também tem impacto direto no mercado de trabalho. Atualmente, 210 participantes foram contratadas pelo estaleiro e hoje representam 27% do quadro de soldadores da empresa.

A iniciativa surgiu para enfrentar um desafio enfrentado por empresas do setor naval na região: a escassez de mão de obra qualificada. A primeira turma exclusiva para mulheres superou as expectativas e incentivou a criação de novas formações.

Transformação de trajetórias

Para muitas participantes, a capacitação representa uma oportunidade concreta de mudança de vida. É o caso da soldadora Jacira da Silva Pacheco, de 45 anos, que encontrou na formação uma nova perspectiva profissional.

Mãe de seis filhos, Jacira afirma que a nova profissão trouxe independência financeira e novas perspectivas para a família. “Hoje, sou independente, construí minha casa e conquistei meus bens graças a essa oportunidade. Ver uma embarcação pronta, sabendo que meu trabalho está ali, unindo cada peça de aço, é uma emoção indescritível”, diz.

A experiência também inspirou outros membros da família. Uma das filhas seguiu o mesmo caminho e hoje também atua como soldadora no estaleiro. “Se você, mulher, sonha em entrar para o estaleiro e tem algum receio, eu digo, acredite em você e tenha coragem. É um grande desafio, mas não é impossível”, completou Jacira.

Mulheres e o setor hidroviário 

A presença feminina tem crescido gradualmente em diferentes áreas ligadas ao transporte aquaviário e à indústria naval no Brasil. Iniciativas de qualificação profissional têm ampliado o acesso de mulheres a atividades técnicas e industriais, contribuindo para reduzir desigualdades históricas no mercado de trabalho.

Na Amazônia, onde os rios funcionam como as principais vias de deslocamento de pessoas e mercadorias, a construção e manutenção de embarcações são fundamentais para garantir a mobilidade e o abastecimento das comunidades. Nesse contexto, programas de capacitação como o desenvolvido pelo Estaleiro Juruá contribuem não apenas para ampliar oportunidades de trabalho, mas também para fortalecer a cadeia produtiva do transporte hidroviário e impulsionar o desenvolvimento regional.

FONTE: BENews

IMAGEM: CEZAR FERNANDES/FOLHA DE PERNAMBUCO

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) informou que o Conselho Diretor do Fundo da Marinha Mercante (CDFMM) aprovou, em reunião realizada em 18 de março, investimentos de R$ 6 bilhões para 13 projetos e 95 obras no setor naval e portuário. A expectativa, explicou a pasta, é que eles gerem cerca de 2,8 mil empregos diretos.

Entre os projetos aprovados, anunciou o MPor, está o do Porto Central, no Espírito Santo, de infraestrutura portuária, no qual serão investidos R$ 2,18 bilhões, e o de construção para a Petrobras de quatro embarcações para transporte de derivados de petróleo, com aportes previstos de R$ 2,17 bilhões.

Foi aprovada também a produção de 35 embarcações para a GDE Transportes destinadas a transporte de combustíveis na região Norte, orçada em R$ 380,3 milhões.Os investimentos aprovados incluem ainda a construção de embarcações de apoio marítimo, navegação interior e carga, além de manutenção, reparo, modernização e ampliação de estaleiros em estados, entre os quais Amazonas, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. O secretário executivo do MPor e presidente do CDFMM, Tomé Franca, disse que a aprovação desses projetos confirma a retomada dos investimentos no setor.

O ministério informou que a próxima reunião do Conselho será em 18 de junho de 2026 e que propostas podem ser apresentadas até 20 de abril. No caso de aprovação, os responsáveis terão 450 dias para formalizar a contratação do financiamento, com possibilidade de prorrogação por até 180 dias.

FONTE: Portos  e Navios

 

Em resposta ao Juízo de Direito da 1ª Vara da Comarca de Coari (AM), o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) solicitou a abertura de inquérito policial para apurar denúncias de assédio e perseguição contra uma marítima que atuava na inspeção náutica no Terminal Aquaviário de Coari, da Transpetro. A identidade da profissional está sendo mantida em sigilo.

Conforme a manifestação da promotoria, a trabalhadora relata ter sofrido repetidas ofensas, constrangimentos e atitudes intimidatórias no ambiente laboral. Essas agressões comprometeram gravemente sua saúde física e mental, mantendo-a, até o momento, sob tratamento psiquiátrico. A representação aponta, ainda, que a gerência local teria sido omissa diante dos relatos apresentados.

O Sindmar já vinha alertando a Transpetro que a terceirização de inspetores náuticos teria potencial para gerar conflitos dessa natureza, além de não contribuir para a manutenção de uma relação de trabalho decente.

Considerando a gravidade do cenário, o MP requereu que a polícia investigue as condutas narradas, ouça os envolvidos e reúna provas, tais como comunicações internas, depoimentos de testemunhas e registros de reuniões realizadas no posto.

O caso envolve possíveis crimes de perseguição e violência psicológica contra a mulher, além da eventual responsabilidade de gestores do terminal que tinham o dever de agir perante as queixas.

O Sindmar acompanha o caso de perto e informa que já está prestando toda a assistência jurídica e o suporte necessários à oficial associada. O Sindicato reafirma seu compromisso intransigente com a segurança dos trabalhadores e trabalhadoras, e reforça que não tolerará qualquer forma de abuso no ambiente marítimo.

Além de monitorar o inquérito, cobramos da Transpetro que adote medidas rigorosas de conformidade e acolhimento, garantindo que o dever de agir dos administradores seja cumprido com transparência. Neste episódio, a trabalhadora terceirizada foi demitida enquanto os agressores seguem empregados – fato que reforça o entendimento de que tal modelo de contratação é um mal a ser combatido duramente pelas entidades sindicais.

IMAGEM: MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES

Debate na Câmara defende concessão de hidrovias na região Norte, mas com controle social

Brasil tem 20 mil km de hidrovias implantadas e potencial de dobrar essa extensão a partir de novos investimentos

O secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Burlier, fez defesa enfática das concessões de serviços hidroviários nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, durante audiência na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados na terça-feira (17).

O tema tem apoio do agronegócio, interessado no escoamento de grãos do Centro-Oeste pelos portos do chamado Arco Norte, mas forte oposição de movimentos socioambientais, preocupados com o impacto no meio ambiente e no modo de vida de povos indígenas e comunidades ribeirinhas.

Há polêmica inclusive dentro do governo federal, que, após manifestações de indígenas no Pará por falta de consulta pública, revogou o decreto que incluía as três hidrovias no Programa Nacional de Desestatização (PND).

Otto Burlier descartou a hipótese de “privatização dos rios” e explicou a série de serviços previstos no pacote de concessões hidroviárias. “Além de manter o rio navegável durante todos os dias do ano, a gente vai ter serviço de hidrografia funcionando plenamente e um gestor sendo responsável pela hidrovia 24 horas por dia", garantiu.

Outras vantagens, de acordo com o secretário, são o compartilhamento de informação com os órgãos de segurança e o monitoramento ambiental ininterrupto.

"E, principalmente para a população que mais necessita desses serviços – ribeirinhos, passageiros, pescadores –, isso será de graça. Apenas as grandes embarcações pagarão por esses serviços”, completou.

Investimentos

Otto Burlier disse que o governo federal investiu R$ 1,2 bilhão em infraestrutura hidroviária entre 2023 e 2025. O país tem 20 mil km de hidrovias implantadas e potencial de dobrar essa extensão a partir de novos investimentos.

Segundo ele, a concessão representará a melhoria dos serviços, com ganhos sociais, ambientais e logísticos.

O secretário citou ainda a importância das hidrovias para as metas climáticas do Brasil de redução das emissões de CO2 no transporte de carga. Hoje o país usa apenas 5% das hidrovias neste setor, muito abaixo dos modais rodoviário (67%), ferroviário (18%) e de cabotagem costeira (9%).

A diretora da Associação de Terminais Portuários Privados, Gabriela Costa, informou que existem 287 terminais privados autorizados pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários, dos quais 1/3 está localizado em águas interiores (rios e lagos), para dar conta do aumento da produção de grãos.

No ano passado, segundo ela, foram movimentadas 70 milhões de toneladas, só na região Norte. “Não existe privatização de rio. A gente está falando de concessão de serviços hidroviários para que você tenha uma matriz de responsabilidades definida e fazer com que esse ativo tão importante de recursos naturais seja aproveitado da melhor maneira possível, inclusive sob a ótica ambiental.”

Controle social

O coordenador do Núcleo de Inovação Social em Políticas Públicas (NISP), Diogo Helal, também defendeu o programa, mas fez sugestões de aprimoramento, sobretudo quanto ao controle social e ao monitoramento com dados abertos.

“É importante que nós consigamos fortalecer a participação social, para que as comunidades ribeirinhas, os povos indígenas e tradicionais sejam atores substantivos no desenho dos contratos", afirmou.

Para ele, as especificidades e realidades dessas populações precisam ser levadas em consideração nos editais. "Só quem está na ponta no dia a dia conhece, e isso inclusive fortalece o próprio desenho da concessão.”

O ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo criticou o governo pela revogação do decreto de concessão das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Segundo ele, houve pressão externa de ONGs, com quebra na confiança dos investidores internacionais. “É o Estado brasileiro sabotando o desenvolvimento do país.”

Impacto ambiental

Já a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) citou os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU para cobrar a avaliação do impacto socioambiental desses empreendimentos.

“E do ponto de vista de impacto, de contaminação: isso tem impacto ou foi analisado só a partir do ponto de vista econômico? Desenvolvimento sustentável a partir dos ODS é também primar pela vida das pessoas”, afirmou.

A audiência foi organizada pelo presidente da comissão, deputado Jadyel Alencar (Republicanos-PI), e coordenada pela deputada Antônia Lúcia (Republicanos-AC), que prevê novos debates.

“Nós vamos fazer uma mesa-redonda completando os agentes que precisam participar para esse debate ser mais amplo e para nós tentarmos chegar a uma solução final o mais rápido possível”, disse a parlamentar.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

IMAGEM: FOLHA EXPRESSA

Na Câmara dos Deputados ainda não houve definição da pauta de plenário. Está agenda para está segunda-feira (16), reunião de líderes partidários para definição da pauta de votações no plenário da Casa.

Criação de cargos

No plenário do Senado pode ser votado o PL 5490/2025, que dispõe sobre a criação de cargos efetivos, cargos em comissão e funções comissionadas no Quadro de Pessoal do Conselho Nacional de Justiça. Ainda pendente de parecer, a matéria já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, passando pelo Senado seguirá para sanção do Presidente.

Reajuste

Outro projeto em pauta é o PL 3879/2024, que estabelece o reajuste dos vencimentos básicos dos cargos efetivos, dos cargos em comissão e das funções comissionadas dos servidores do Ministério Público da União e do Conselho Nacional do Ministério Público; define a Política Institucional do Ministério Público da União como a unidade administrativa responsável pelas atividades de segurança institucional.

O projeto também altera a Lei nº 13.316, de 20 de julho de 2016, para modificar a nomenclatura dos Técnicos do Ministério Público da União que exercem as funções de segurança institucional. O projeto também aguarda parecer.

Ainda sobre projetos de servidores do judiciário, o plenário pode votar também o PL 2004/2024, que altera a Lei nº 14.377, de 22 de junho de 2022, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreiras e Cargos de Provimento Efetivo dos Servidores da Defensoria Pública da União e fixa o valor de suas remunerações.

COMISSÕES CÂMARA DOS DEPUTADOS

CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA

Redução de jornada

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados pode votar o PL 2458/2025 que altera a Consolidação das Leis do Trabalho, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, para dispor sobre a redução da jornada de trabalho de empregado que tenha filho, enteado, criança sob guarda judicial ou dependente com Transtorno do Espectro Autista ou Síndrome de Down. De autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o relator da matéria no colegiado é o deputado Ricardo Ayres (REPUBLICANOS-TO) e seu parecer é pela constitucionalidade da matéria.

Instalações sanitárias para trabalho ao céu aberto

Outra matéria em pauta é o PL 2351/2024 que cria o Programa Trabalhador Cidadão, para assegurar o acesso dos trabalhadores que trabalham a céu aberto às instalações sanitárias de órgãos públicos e de empresas. O projeto é de autoria do deputado Gilberto Abramo (REPUBLICANOS-MG) e a relatoria é do Ricardo Ayres (REPUBLICANOS-TO) e seu parecer é pela constitucionalidade da proposição.

Piso salarial dos agentes comunitários de saúde

O colegiado pode votar também a PEC 18/2022 acrescenta o § 9º-A ao art. 198 da Constituição Federal, para criar piso salarial diferenciado para os agentes comunitários de saúde e os agentes de combate às endemias detentores de formação técnica, nos termos que especifica. A PEC conta com parecer pela admissibilidade do deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA). A comissão se reúne nesta terça-feira (17) às 15h30 no plenário 1 do anexo II da Casa.

Fim da escala 6x1

Na quarta-feira (18), a comissão debate a PEC 8/2025, que trata da redução de jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. A convidada é Débora Freire, Subsecretária de Política Fiscal do Ministério da Fazenda. O debate será às 14h no plenário 1 do anexo II da Casa.

TRABALHO

Planos e metas do Ministério do Trabalho

Nesta quarta-feira (18), o Ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, irá até a comissão de Trabalho para apresentação dos planos e metas do Ministério para o ano de 2026. A reunião será às 10h no plenário 12 do anexo II da Casa.

Redução de jornada

Ainda sem confirmação oficial, é possível que o colegiado paute a PL 67/2025, que trata da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1. O projeto é de autoria da deputada Dai?na Santos (PcdoB-RS) e tem como relator o deputado Léo Prates (PDT-BA) que apresenta parecer pela aprovação da matéria.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Trabalho aos domingos

A Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados pode votar o PDL 427/2019 que susta a Portaria nº 604, de 18 de junho de 2019, que "dispõe sobre a autorização permanente para trabalho aos domingos e feriados civis e religiosos a que se refere o artigo 68, parágrafo único, da Consolidação das Leis do Trabalho. De autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF), a matéria conta com parecer contrário do relator, deputado Rodrigo da Zaeli (PL-MT).

Bancos comunitários

Outro projeto em pauta é o PL 52/2025 que altera a Lei nº 15.068, de 23 de dezembro de 2024, para dispor sobre os bancos comunitários. De autoria do deputado Alberto Fraga (PL-DF), o projeto tem como relator no colegiado a deputada Antônia Lúcia (REPUBLICANOS-AC) e seu parecer é pela aprovação. A comissão se reúne às 10h nesta quarta-feira (18) no plenário 5 do anexo II da Casa.

DIREITOS HUMANOS, MINORIAS E IGUALDADE RACIAL

Escala 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana.

A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados debate nesta quarta-feira (18), os impactos da escala 6x1 sobre a dignidade da pessoa humana.

Entre os convidados estão o ministro Chefe da Secretária-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG); representantes dos ministérios do Trabalho e Emprego, Direitos Humanos e da Cidadania e do Ministério Público do Trabalho.

Também vão debater o tema representantes da Organização Internacional do Trabalho - OIT no Brasil e Ricardo Antunes, sociólogo do trabalho. A reunião será no plenário 9 do anexo II às 16h. O debate é interativo, e os internautas podem encaminhar perguntas pelo site da comissão.

SAÚDE

Comissão debate programa de acesso a especialistas no SUS

A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater o Programa Agora Tem Especialista (PATE), voltado à ampliação do acesso da população a consultas e atendimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é do deputado Dr. Frederico (PRD-MG).

O debate contará com a participação de representantes do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS), da Confederação Nacional de Municípios (CNM), do Conselho Federal de Medicina e da Confederação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Filantrópicos.

A discussão aborda política pública relacionada à organização da assistência especializada no SUS, tema que pode impactar o acesso dos trabalhadores aos serviços de saúde e as condições de atuação dos profissionais do setor. A audiência será às 10h, no plenário 7 do anexo II da Casa.

PREVIDÊNCIA, ASSISTÊNCIA SOCIAL, INFÂNCIA, ADOLESCÊNCIA E FAMÍLIA

Garantia de estabilidade provisória às empregadas e empregados

A Comissão Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara dos Deputados pode votar o PL 424/2024, da deputada Erika Hilton (PSol-SP), que dispõe sobre a garantia de estabilidade provisória às empregadas e empregados diagnosticados com câncer de colo uterino, de mama e colorretal. Ofereceu parecer pela aprovação na forma de substitutivo à relatora, deputada Silvia Cristina (PP-RO).

Transparência e publicidade de requerimentos previdenciários do INSS

O colegiado pode votar também o PL 2395/2025, do deputado Cobalchini (MDB-SC), que dispõe sobre a obrigatoriedade de transparência e publicidade nos processos administrativos de requerimentos de benefícios previdenciários no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS. 

O deputado Ruy Carneiro (PODEMOS-PB), relator da matéria, apresentou parecer pela aprovação na forma do substitutivo. A reunião acontece no plenário 7 do anexo II da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (18), às 14h.

FONTE: DIAP

IMAGEM: REPRODUÇÃO TV TEM

Painel reuniu governo e setor privado em Manaus e apontou falhas de comunicação, entraves regulatórios e falta de integração como principais desafios

A ampliação do uso das hidrovias, a integração entre modais e a necessidade de maior segurança jurídica foram os principais pontos debatidos no painel sobre infraestrutura de transportes do Norte Export, realizado nesta quinta-feira (19), em Manaus.

O encontro reuniu representantes do governo e do setor privado, que apontaram gargalos estruturais, falhas de comunicação e entraves regulatórios como desafios para o avanço da logística na região Norte.

O secretário nacional de Hidrovias do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Burlier, afirmou que o Brasil ainda utiliza pouco seu potencial hidroviário e destacou a necessidade de melhorar a comunicação sobre os projetos do setor. “Por incrível que pareça, a gente usa muito pouco as nossas hidrovias. E o principal desafio hoje também é de comunicação, diante de tantas informações incorretas”, disse.

Segundo ele, mesmo com a revogação do decreto 12.600/2025, os estudos para concessões seguem em andamento, incluindo projetos nos rios Madeira, Tapajós e Tocantins. “A agenda não parou. Pelo contrário, sai fortalecida. Mas precisamos envolver toda a sociedade nessa discussão”, afirmou.

O diretor de Planejamento da Infra S.A., Cristiano Della Giustina, destacou que o principal gargalo da logística hoje está no acesso aos terminais, e não mais na capacidade portuária. “A gente acertou muito na expansão dos portos, mas agora o desafio é melhorar os acessos. É aí que entra a multimodalidade”, disse.

De acordo com ele, sem novos investimentos estruturantes, o Arco Norte pode perder participação no escoamento de cargas. “A gente precisa tirar projetos do papel e pensar infraestrutura como política de Estado, não de governo”, afirmou, citando projetos como a Ferrogrão e a Fiol.

A diretora de Institucional e Regulatório da Hidrovias do Brasil, Mariana Pescatori, afirmou que o avanço das concessões depende de maior diálogo com comunidades e de segurança jurídica. “Esse processo vai exigir mais tempo e mais resiliência, mas pode resultar em projetos mais estruturados, ouvindo demandas ambientais e sociais”, disse.

Ela também apontou dificuldades relacionadas ao licenciamento ambiental e à execução de dragagens. “A dragagem é essencial, mas muitas vezes esbarra em falta de segurança jurídica. Precisamos evoluir para garantir previsibilidade”, afirmou.

Já o presidente da FENOP e do Conselho do Norte Export, Sergio Aquino, afirmou que o principal entrave atual não está na operação portuária, mas no acesso da carga e na insegurança jurídica. “O problema hoje não é a operação portuária. Isso o setor privado já resolveu. O problema é fazer a carga chegar”, disse.

Segundo ele, decisões recentes do Judiciário têm gerado instabilidade e afetado o ambiente de investimentos. “Estamos enfrentando uma insegurança judicial tremenda. A cada momento, a lei é reinterpretada, e isso trava o desenvolvimento”, afirmou.

Aquino também defendeu a necessidade de políticas públicas mais estáveis e previsíveis para o setor. “Não podemos ficar reféns de quem está no governo ou de interpretações que mudam a regra do jogo”, disse.

O painel indicou ainda que a região Norte depende diretamente do transporte hidroviário e que o avanço das concessões, aliado à integração entre modais e à melhoria do ambiente regulatório, é apontado como caminho para ampliar a eficiência logística.

FONTE: BENEWS

 

IMAGEM: SÉRGIO LIMA/PODER360

O Ministério Público do Trabalho (MPT) defendeu, em audiência pública no Tribunal Superior do Trabalho (TST), a necessidade de estabelecer limites para a negociação coletiva que autoriza a ampliação da jornada em atividades insalubres. A manifestação ocorreu durante discussão do Tema 149, submetido ao rito dos recursos repetitivos, que definirá precedente vinculante sobre a matéria.

O subprocurador-geral do Trabalho, Francisco Gerson de Lima, representante do MPT na audiência, defendeu que a tese a ser fixada pela Corte trabalhista condicione a validade da cláusula coletiva à comprovação efetiva da existência de insalubridade no ambiente de trabalho. Segundo ele, a proposta não representa impedimento à negociação coletiva, mas estabelece critério para sua legitimidade.

Lima rebateu argumentos de que a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estaria defasada e destacou que a discussão central envolve proteção à saúde do trabalhador. "Não estamos tratando de mera ampliação de jornada, mas de saúde em ambiente hostil ao trabalhador", afirmou.

O relator do processo no TST, ministro Douglas Alencar Rodrigues, ressaltou que o debate está alinhado ao Tema 1.046 do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a validade de acordos coletivos desde que respeitados direitos fundamentais. O ministro também mencionou a possibilidade de nova audiência pública para aprofundar a controvérsia.

Setor produtivo

Representantes do setor de saúde e da indústria defenderam a manutenção da validade das negociações coletivas sobre jornada em ambientes insalubres.

Nelson Mannrich, da Confederação Nacional de Saúde (CNSaúde), argumentou que a negociação não suprime normas de saúde e segurança, nem elimina o adicional de insalubridade. Sustentou que o que se negocia são aspectos como duração do trabalho e intervalos, matérias delegadas pelo legislador à negociação coletiva.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da advogada Carolina Tupinambá, defendeu que as entidades sindicais conhecem melhor a realidade de cada setor. Invocou o artigo 60 da CLT, que exige autorização prévia para prorrogação de jornada em atividades insalubres, mas argumentou que o dispositivo teria sido derrogado pela Constituição de 1988, que estimula o diálogo coletivo.

O Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre (Sindihosp) alertou que decisão contrária à negociação poderá impactar a rotina hospitalar, especialmente na escala 12x36, adotada por trabalhadores da saúde.

FONTE: DIAP

IMAGEM: Igor Karasi / Shutterstock

Trump suspende a "Jones Act" por 60 dias — representantes do setor de transporte marítimo dizem que isso não ajudará a baixar os preços da gasolina.

A Casa Branca aprovou uma isenção de 60 dias, dando continuidade a uma política controversa que, segundo alertaram os representantes do setor naval americano há poucos dias, pouco contribuiria para a redução dos preços dos combustíveis — e que agora gera novas críticas por parte de grupos trabalhistas do setor marítimo.

A secretária de imprensa Karoline Leavitt confirmou a decisão na terça-feira, afirmando que a isenção visa mitigar as interrupções de curto prazo no mercado de petróleo, enquanto as forças americanas continuam as operações ligadas à Operação Epic Fury contra o Irã.

A isenção temporária permite que embarcações com bandeira estrangeira transportem petróleo, gás natural liquefeito, fertilizantes, carvão e outras mercadorias essenciais entre portos dos EUA, abrindo efetivamente o comércio costeiro doméstico ao transporte marítimo internacional pelos próximos dois meses.

A medida amplia uma proposta anterior, apresentada na semana passada, para uma isenção de 30 dias e representa uma das isenções emergenciais mais significativas da Lei da Marinha Mercante de 1920 nos últimos anos. Esperava-se que a isenção fosse concedida com base na Seção 501(a) da lei, que permite ao governo autorizar que navios estrangeiros transportem carga doméstica quando isso for considerado “necessário no interesse da defesa nacional para lidar com um efeito adverso imediato sobre as operações militares”.

O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmou que a suspensão da Lei em questão "garante que o petróleo e outros recursos energéticos cheguem aos americanos em todo o país, mesmo em períodos de interrupção".

“Isso ajudará a amenizar os impactos de curto prazo nos preços do mercado de petróleo, enquanto trabalhamos diariamente para reduzir os preços e aumentar os salários dos americanos”, acrescentou.

Reação da indústria

A oposição da indústria foi imediata e agora está se ampliando.

Em uma declaração conjunta, nove organizações de trabalhadores marítimos, incluindo a Marine Engineers' Beneficial Association (MEBA), a Sailors' Union of the Pacific (SUP) e o Transportation Trades Department (TTD) da AFL-CIO, reagiram veementemente à decisão.

“Quando justificado e no interesse nacional, o movimento trabalhista marítimo já apoiou isenções específicas da Lei Jones, mas esta medida abrangente não atende a esse padrão”, afirmaram os grupos. “Em vez disso, esta isenção abrangente prejudicará a segurança nacional e afetará negativamente a força de trabalho marítima americana em um momento instável para o nosso país. Sabemos que esta decisão não reduzirá os preços da gasolina nem beneficiará os consumidores, mas sim as empresas de navegação estrangeiras.”

A declaração também levantou preocupações de segurança relacionadas ao conflito em curso no Oriente Médio.

“Num momento de acentuada instabilidade global, em que marinheiros americanos estão sendo alvejados no Golfo Pérsico e áreas adjacentes, e a abertura das vias navegáveis ​​dos EUA a adversários estrangeiros, uma isenção geral da Lei Jones coloca ainda mais em risco a segurança dos Estados Unidos em mar aberto”, afirmaram os grupos. “Além disso, tal ação apenas permitiria o abuso das leis de cabotagem do nosso país e enviaria um sinal prejudicial sobre o compromisso da nação em manter uma indústria marítima e uma força de trabalho americanas fortes.”

A resposta dos trabalhadores segue alertas semelhantes de grupos do setor. "Estamos profundamente preocupados com o abuso dessa ampla isenção de 60 dias, que pode levar ao deslocamento desnecessário de trabalhadores e empresas americanas", afirmou a American Maritime Partnership, uma coalizão que representa a indústria marítima nacional dos EUA. "A lei estabelece um padrão elevado: essa isenção existe unicamente para lidar com uma ameaça imediata às operações militares, não para deslocar trabalhadores americanos ou beneficiar operadores estrangeiros."

O grupo reiterou ainda que a política teria um impacto mínimo nos preços dos combustíveis.

“O impacto potencial máximo do transporte doméstico no custo da gasolina em todo o país é inferior a um centavo por galão”, afirmou a AMP.

A decisão de suspender a lei de navegação ocorre menos de uma semana depois que sindicatos marítimos e operadores de navios-tanque dos EUA instaram o governo a não prosseguir com a suspensão, argumentando que a política teria um impacto mínimo nos preços da gasolina, ao mesmo tempo que prejudicaria o transporte marítimo doméstico. Os grupos alertaram que qualquer economia marginal resultante da suspensão provavelmente não chegaria aos consumidores e, em vez disso, criaria oportunidades para operadores de bandeira estrangeira que evitam impostos nos EUA e dependem de mão de obra mais barata.

A Associação de Serviços Marítimos Offshore (OMSA) também alertou que a medida poderia ter consequências econômicas negativas. "Suspender a Lei Jones na tentativa de lidar com o aumento dos preços dos combustíveis não funcionará e colocará em risco empregos americanos, a arrecadação de impostos dos EUA e o futuro da indústria marítima americana", disse o presidente da OMSA, Aaron Smith. Ele acrescentou que depender de embarcações estrangeiras para transportar o suprimento de energia doméstica "não é uma solução — é uma vulnerabilidade".

Restaurando o domínio marítimo

A isenção da "Jones Act" surge num momento em que o Presidente Trump pressiona para restaurar a supremacia marítima dos Estados Unidos — uma direção política que, segundo alguns, está agora sendo minada pelas próprias ações da administração.

“Sempre que a Lei Jones é suspensa, isso envia um sinal às empresas que consideram investir em embarcações, estaleiros e mão de obra americana”, disse Smith. “Se o objetivo é fortalecer a capacidade marítima e a resiliência da cadeia de suprimentos dos Estados Unidos, os formuladores de políticas deveriam estar reforçando essa base, e não enfraquecendo a confiança nela.”

Os operadores de navios-tanque fizeram coro com essas preocupações, apontando para as condições atuais do mercado de frete.

Em uma análise recente, Sam Norton, CEO do Overseas Shipholding Group, afirmou que substituir navios-tanque da Lei Jones por embarcações de bandeira estrangeira  poderia, na verdade, aumentar os custos de transporte . "Substituir um navio-tanque de bandeira estrangeira em uma rota doméstica atualmente atendida por um navio-tanque da Lei Jones provavelmente resultaria em um aumento no custo do combustível entregue", escreveu Norton, citando as tarifas mais altas de navios-tanque internacionais.

Primeiros jogos

Os primeiros indícios sugerem que a isenção já está remodelando o transporte marítimo costeiro dos EUA, com os afretadores recorrendo rapidamente a navios-tanque MR de bandeira estrangeira para viagens domésticas, incluindo algumas com custos de frete mais elevados, de acordo com a empresa de inteligência de energia e commodities Argus .

Um dos contratos de frete relatados previa o  transporte do PIS Kalimantan  da Costa do Golfo dos EUA até Jacksonville por cerca de US$ 6,74 por barril — bem acima das taxas típicas da Lei Jones no início deste mês. Outro contrato, para uma viagem de Nova York ao Havaí, foi relatado por um valor próximo a US$ 22 por barril, refletindo os preços elevados dos mercados globais de frete.

“A disponibilidade imediata de navios para embarques rápidos no estilo da Lei Jones — um mercado dominado por afretamentos a tempo de longo prazo e oferta restrita de embarcações — após o lançamento das isenções provavelmente criou fortes oportunidades de arbitragem para os afretadores”, afirmou a análise da Argus. “Isso ocorre apesar dos custos de frete mais altos, pelo menos inicialmente, em algumas rotas, já que a demanda internacional permanece elevada, com os compradores se esforçando para garantir embarques após a paralisação quase total dos fluxos no Golfo Pérsico.”

A associação American Waterways Operators afirmou que a abrangência da isenção é particularmente preocupante. "Permitir que embarcações estrangeiras transportem carga em vias navegáveis ​​americanas introduzirá a volatilidade de preços do mercado internacional atual em nosso comércio interno, criando instabilidade em nossa próspera cadeia de suprimentos nacional e prejudicando empregos americanos, sem ter nenhum efeito apreciável no preço da gasolina", declarou a associação.

Preços da energia em ascensão

A isenção ocorre em um momento em que o petróleo WTI se aproxima dos US$ 100 por barril, ante cerca de US$ 70 no início do mês, após os ataques dos EUA e de Israel contra o Irã e a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio continuarem a perturbar os mercados globais de energia. O aumento de mais de 40% no início de março marca os níveis de preço mais altos desde 2022.

Ao mesmo tempo, a navegação pelo Estreito de Ormuz permanece severamente prejudicada, com o tráfego praticamente paralisado após semanas de ataques com mísseis e drones contra embarcações comerciais. Essa interrupção elevou drasticamente as taxas de frete de petroleiros e os prêmios de risco de guerra, aumentando ainda mais a pressão sobre as cadeias globais de suprimento de energia.

Autoridades argumentam que a isenção poderia ajudar a aliviar os gargalos regionais de abastecimento, particularmente ao longo da costa leste dos EUA, permitindo que uma gama maior de embarcações transportasse combustível das refinarias da Costa do Golfo.

No entanto, diversas análises sugerem que o impacto nos preços dos combustíveis para o consumidor provavelmente será insignificante.

Um estudo da Navigistics Consulting estimou que, mesmo no melhor cenário possível, a política reduziria os preços da gasolina em menos de um centavo por galão — aproximadamente US$ 0,0027 — se toda a economia fosse repassada aos consumidores.

O impacto limitado reflete a parcela relativamente pequena da gasolina americana transportada por navios-tanque oceânicos. De acordo com a análise, apenas cerca de 6,5% do abastecimento é transportado por embarcações regidas pela Lei Jones, sendo a maior parte do combustível entregue por meio de oleodutos, caminhões e outras infraestruturas.

Os defensores da isenção, incluindo o senador Ted Cruz, argumentam que a medida é necessária para garantir o livre fluxo de energia e bens essenciais durante uma crise de segurança nacional desencadeada por interrupções no Estreito de Ormuz.

Os críticos, no entanto, afirmam que a decisão evidencia uma discrepância recorrente entre as expectativas políticas e a realidade do mercado.

“Decisões políticas baseadas em suposições em vez de realidades de mercado correm o risco de causar mais mal do que bem”, escreveu Norton.

Com a entrada em vigor da isenção, o governo aposta que uma maior flexibilidade na logística de transporte marítimo doméstico poderá ajudar a estabilizar os mercados — mesmo que os dados do setor sugiram que os principais fatores que influenciam os preços dos combustíveis continuem sendo globais.

FONTE: GCAPTAIN

IMAGEM: PORTO DE SANTOS/DIVULGAÇÃO

Primeiro mês do ano com números positivos no Estatístico Aquaviário da ANTAQ

Soja está entre as mercadorias de maior destaque, com 4 milhões de toneladas movimentadas - número que representa um aumento de 114% em comparação ao mesmo período de 2025

A Agência Nacional dos Transportes Aquaviários (ANTAQ) divulgou, hoje (13), os números dos dados estatísticos relativos à movimentação portuária registrados em janeiro de 2026. O primeiro mês do ano traz o total de 104 milhões de toneladas movimentadas, um crescimento de 12,8% se comparado ao mesmo mês de 2025. Ao divulgar esses dados, a Agência reforça seu papel técnico de fornecer informações confiáveis ao setor privado e, desse modo, as empresas podem planejar e tomar as melhores decisões no mercado aquaviário. 

Movimentação de mercadorias

Em janeiro deste ano, as mercadorias que se destacaram entre as 20 com maiores movimentações foram a soja (4 milhões de toneladas, um aumento de 114,3%), o óleo bruto de petróleo, com 21,4 milhões de toneladas movimentadas e crescimento de 37,6% e o coque de petróleo, que aumentou 32,7% em relação ao mesmo período, movimentando 0,6 milhão. 

Recorde nos portos

Os portos públicos cresceram 10,3% e chegaram a 35,3 milhões de toneladas de cargas. O Porto de Santarém, no Pará (PA), continua se destacando entre as 20 instalações com maior crescimento, apresentando 1,6 milhão de toneladas movimentadas.

Consolidação de contêineres

Foram 13,2 milhões de toneladas movimentadas em janeiro deste ano. Esse dado representa um crescimento de 1,9% quando comparado com o mesmo período de 2025. 

Em TEUs, a movimentação chegou a 1,3 milhão, com crescimento de 8,1%. Desse total, 864 mil TEUs foram movimentados em longo curso e 379 mil por cabotagem. 

Cargas e Navegação

Em relação aos granéis sólidos, a movimentação atingiu 54,7 milhões de toneladas (aumento de 10,4%) e os granéis líquidos chegaram a 31,2 milhões de toneladas (aumento de 29,7% quando comparado à 2025). Já para a carga geral solta, a movimentação foi de 4,9 milhões de toneladas, uma queda de 13,2% em comparação com o mesmo mês do ano passado.

A movimentação de cargas de longo curso foi de 70,9 milhões de toneladas em janeiro de 2026 (+11%). A cabotagem alcançou uma movimentação de 27,4 milhões de toneladas (+13,7%), enquanto que a navegação interior chegou a 5,5 milhões de toneladas, um crescimento de 36% no comparativo janeiro de 2025/2026.

Terminais Privados

A movimentação dos terminais privados alcançou 68,7 milhões de toneladas de cargas em janeiro - representando um crescimento de 14,1% no comparativo com 2025.

Nessa categoria, destaque para Terminal de Petróleo TPET/TOIL, em Porto do Açu  (RJ), que teve o maior crescimento relativo entre as 20 instalações com maior movimentação em janeiro deste ano: foram 7,7 milhões de toneladas, representando um aumento de 159,8% na comparação com jan/2025.

FONTE: ANTAQ

IMAGEM: REPRODUÇÃO

Trata-se de marco histórico finalmente formalizado, que o Congresso Nacional promulgou nesta terça-feira (17). O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia encerra ciclo de negociações que se arrastava há mais de 2 décadas.

A medida representa um dos mais ambiciosos tratados já firmados pelo bloco sul-americano e sinaliza uma tentativa de reposicionar o Brasil no comércio internacional.

A promulgação consolida o aval político interno necessário para a implementação do acordo, embora a plena entrada em vigor ainda dependa de etapas adicionais nos países europeus.

“Estamos diante de uma mudança estrutural na inserção internacional do Brasil. O acordo amplia mercados e redefine padrões de competitividade”, afirmou o embaixador Carlos França.

Abertura de mercados e novas regras

O tratado prevê a redução gradual de tarifas para ampla gama de produtos, e beneficia especialmente setores do agronegócio, como carnes, açúcar, etanol e grãos. Em contrapartida, o Brasil e os demais países do Mercosul terão de abrir os respectivos mercados industriais a produtos europeus, tradicionalmente mais competitivos.

Além das tarifas, o acordo estabelece regras em áreas como propriedade intelectual, compras governamentais, serviços e barreiras sanitárias e fitossanitárias, o que exigirá adaptações regulatórias relevantes.

“Não se trata apenas de comércio. É um acordo que mexe com padrões produtivos, exigências ambientais e regras de concorrência”, avaliou a professora de comércio exterior Vera Thorstensen.

Impactos para a economia brasileira

O governo e setores exportadores celebram o acordo como oportunidade de expansão econômica e diversificação de mercados. A União Europeia, um dos maiores blocos econômicos do mundo, representa destino estratégico para produtos brasileiros de maior valor agregado.

Por outro lado, segmentos da indústria nacional demonstram preocupação com a concorrência europeia, temendo perda de espaço no mercado interno.

“Há ganhos evidentes para o agro, mas a indústria precisará de políticas de adaptação para não sofrer desindustrialização”, alertou o economista José Augusto de Castro, presidente-executivo da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).

Cláusulas ambientais e pressão internacional

Um dos pontos mais sensíveis do acordo diz respeito às exigências ambientais. Países europeus pressionaram pela inclusão de compromissos mais rígidos relacionados à preservação ambiental e ao combate ao desmatamento, especialmente na Amazônia.

Essas cláusulas têm sido alvo de debate interno, dividindo opiniões entre aqueles que veem nessas oportunidades de modernização e os que apontam riscos à soberania nacional.

“A agenda ambiental deixou de ser periférica e passou ao centro das relações comerciais. Ignorar isso tem custo econômico direto”, afirmou o analista internacional Oliver Stuenkel, professor da FGV em São Paulo e pesquisador do Carnegie Endowment.

Geopolítica e reposicionamento

A promulgação do acordo ocorre em contexto global de reconfiguração das cadeias produtivas e tensões comerciais entre grandes potências. Nesse cenário, o pacto Mercosul-União Europeia é visto como tentativa de reduzir dependências e ampliar parcerias estratégicas.

Para o Brasil, o movimento também tem dimensão diplomática, ao sinalizar compromisso com regras multilaterais e integração econômica.

“O acordo é, ao mesmo tempo, econômico e geopolítico. Ele redefine alianças e reposiciona o Brasil no tabuleiro global”, disse o ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira, Chefe de Assuntos Estratégicos do escritório da Apex, em Bruxelas.

Desafios de implementação

Apesar da promulgação, especialistas apontam que os efeitos concretos dependerão da capacidade de implementação e adaptação interna. Infraestrutura, produtividade, inovação e ambiente regulatório serão fatores decisivos para que o País aproveite plenamente os benefícios do acordo.

“A assinatura é apenas o começo. O verdadeiro impacto virá da capacidade de o Brasil competir em um ambiente mais aberto e exigente”, resumiu o consultor em comércio internacional Welber Barral.

FONTE: DIAP

IMAGEM: BING
 
A escalada militar envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos levou a ataques e a ameaças contra navios mercantes. Com o acirramento do conflito no Golfo Pérsico e reflexos para a gente do mar, a Conttmaf encaminhou à Transpetro uma proposta para incluir de forma mais clara, no acordo coletivo de trabalho (ACT), o direito de recusa para zonas de guerra, previsto na Convenção do Trabalho Marítimo (MLC).

É importante registrar que a alta administração da empresa, ainda no início do conflito, informou à Conttmaf que não havia embarcações na zona de guerra e que teria solicitado à Petrobras não programar navios brasileiros para operação na região.

Contudo, para que nossos marítimos tenham mais segurança e transparência em relação aos seus direitos, propusemos incluir uma cláusula específica no ACT Marítimos Transpetro 2025/2027 sobre o “Direito de Recusa em Viagem a Zona de Guerra”.

“Desejamos estabelecer uma garantia clara para os nossos marítimos no ACT da Transpetro, uma cláusula específica que regule o direito de recusa caso algum navio da companhia, por algum motivo, tenha que navegar ou operar em zona de guerra. Essa iniciativa se alinha, também, ao que temos discutido internacionalmente na ITF como proteção básica aos marítimos”, declarou o presidente da Conttmaf e do Sindmar, Carlos Müller.

No Brasil, a Transpetro é a única empresa que operou navios de bandeira brasileira na região conflagrada em anos recentes. A representação sindical esclarece que esta demanda não deve ser objeto de barganha na negociação do ACT, pois visa regulamentar apropriadamente um direito que a própria Transpetro já informou que irá cumprir.

“Esperamos que a Transpetro contemple a cláusula proposta pela Conttmaf, se mantendo em patamar igual ou superior ao mínimo praticado pelos armadores internacionalmente”, concluiu Müller.

Neste momento, mais de 20 mil marítimos estão na zona de guerra do Golfo, muitos dos quais pegos de surpresa pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

Cláusula proposta pela Conttmaf:

Cláusula – Direito de Recusa em Viagem a Zona de Guerra
Nenhum empregado marítimo será obrigado a embarcar, permanecer embarcado ou navegar em navio da Companhia que tenha previsão de operar em área classificada como zona de guerra.

Parágrafo primeiro – Caso o navio venha a ser direcionado para operação ou navegação em área classificada como zona de guerra, a Companhia deverá informar previamente a tripulação tão logo tenha conhecimento dessa circunstância. O empregado marítimo poderá solicitar seu desembarque em porto seguro antes da entrada do navio na referida área, o qual deverá ser definido e comunicado pela Companhia.

Parágrafo segundo – O exercício do direito previsto no caput desta cláusula não implicará em qualquer forma de sanção disciplinar, prejuízo funcional, restrição a futuras escalas de embarque, promoções ou qualquer outra medida que possa caracterizar discriminação profissional.

Parágrafo terceiro – O empregado marítimo que optar por não permanecer a bordo para viagem a zona de guerra terá assegurado o direito à repatriação, inclusive transporte, hospedagem, alimentação e demais despesas envolvidas na logística necessária até sua cidade de referência, às expensas da Companhia.

Parágrafo quarto – Alternativamente, caso haja disponibilidade operacional e logística, o empregado marítimo poderá solicitar transferência para outro navio da Companhia, a fim de completar o período de embarque já iniciado. Nesse caso, os dias em transferência entre navios serão considerados como dias de embarque contínuo.

Parágrafo quinto – Para os fins desta cláusula, consideram-se zonas de guerra aquelas oficialmente designadas por organismos internacionais ou autoridades marítimas competentes, incluindo as áreas classificadas pelo Joint War Committee (JWC) dos seguradores de Londres, responsável pela definição das “Listed Areas” utilizadas no mercado internacional de seguros marítimos.

Parágrafo sexto – As atualizações e revisões das áreas de risco divulgadas pelos organismos mencionados nesta cláusula serão automaticamente consideradas para os fins deste Acordo Coletivo de Trabalho.

Parágrafo sétimo – O empregado marítimo que optar por permanecer a bordo durante viagem que envolva operação ou trânsito em zona de guerra fará jus aos seguintes benefícios e vantagens enquanto o navio permanecer na referida área:

I. pagamento das diárias adicionais de zona de guerra, nos termos previstos na Cláusula da Diária de Viagem ao Exterior, assegurado o pagamento mínimo correspondente a 10 dias de diária dobradas, ainda que a navegação e permanência na área sejam concluídas em prazo inferior.

II. majoração de 100% dos valores previstos na Cláusula do Autosseguro.